Auriol Dongmo: O "quarto lugar é a coisa mais horrível da minha vida"

A lançadora chegou ao concurso olímpico com a quinta melhor marca do ano, com o objetivo de conseguir melhorar o seu recorde nacional. Terminou em quarto.

A portuguesa Auriol Dongmo assumiu este domingo a tristeza com o quarto lugar no lançamento do peso nos Jogos Olímpicos Tóquio2020, a cinco centímetros da medalha de bronze, identificado o momento como a "coisa mais horrível" da sua vida.

"Dói-me muito, ficar em quarto lugar é a coisa mais horrível da minha vida", afirmou a campeã da Europa em pista coberta em 2021, na zona mista do Estádio Olímpico, após a final, vencida pela chinesa Lijiao Gong, campeã do mundo em 2017 e 2019, e nova campeã olímpica, com 20,58 metros, seguida da norte-americana Raven Saunders, medalha de prata, com 19,79.

Auriol Dongmo terminou o concurso no quarto lugar, com 19,57 metros, abaixo do recorde nacional (19,75), que hoje lhe valeria a medalha de bronze, conquistada pela neozelandesa Valerie Adams, campeã em Pequim2008 e Londres2012 e prata no Rio2016, com 19,62.

"O quarto lugar é o pior, mas agora não há nada a fazer. Eu estava a sentir-me bem, mesmo no aquecimento e, depois, não sei o que se passou. Há coisas que não consigo explicar, porque eu estava bem, mesmo com calor, que estava igual para todas", explicou.

A lançadora, que se naturalizou portuguesa em 2019, chegou ao concurso olímpico com a quinta melhor marca do ano, com o objetivo de conseguir melhorar o seu recorde nacional, elogiando as concorrentes, que "foram muito fortes".

"Eu estive focada até ao fim, com a esperança de que o melhor saísse até ao fim, a qualquer momento. Já fiz 20 metros em treino e estava com a esperança de que conseguia fazer hoje", reconheceu, lamentando ter ficado a cinco centímetros de Valerie Adams: "Ainda custa mais ficar em quarto lugar e tão perto do terceiro".

Na estreia olímpica por Portugal - foi 12.ª no Rio2016, a representar os Camarões -, e a dois dias de completar 32 anos, Dongmo não tem dúvidas quanto ao seu futuro, prometendo empenho para melhorar, se possível já na final da Liga de Diamante, em 08 e 09 de setembro, em Zurique, na Suíça.

"Claro que eu tenho tempo, eu vou continuar a trabalhar, é isso que eu posso fazer agora", vincou, antevendo um ano de 2022 "muito complicado", com Mundiais e Europeus ao ar livre e Mundiais em pista coberta.

Devota de Fátima, Dongmo não fez, nem faz, promessas - "para mim não há promessas, não é cumprir se me der 'x', é a santificação do dia a dia" --, admitindo a tristeza com o desfecho da competição.

"Tudo o que acontece na nossa vida é porque Deus quer. Não posso ficar chateada com Deus, estou um bocadinho triste, com certeza, mas vai ser Ele que me vai dar forças para avançar", assegurou.

Gong segurou a liderança desde o primeiro lançamento, com 19,95 metros, tal como Saunders o segundo, com 19,65. Ambas viriam a melhorar nos quintos ensaios, para 20,53 e 19,79, tendo a bicampeã do mundo reforçado na sexta e última tentativa, para os vitoriosos 20,58, que constituem a sua melhor marca do ano.

Dongmo começou com 19,29, então a terceira marca, assegurando um lugar entre as oito finalistas, mas só conseguiu melhorar no quarto ensaio, para os finais 19,57, depois de 18,95 e 19,17, terminando o concurso com dois de lançamentos a 19,45, sem conseguir superar o terceiro registo, de Adams (19,62), e chegar ao pódio.

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