Dez já abandonaram a Superliga. Só Real Madrid e Barcelona resistem

Atlético de Madrid, Inter Milão, AC Milan e Juventus abandonaram oficialmente o grupo cada vez mais pequeno dos clubes que queriam organizar uma Superliga de futebol. Presidente da Juventus diz que assim não há condições para continuar.

Atlético de Madrid, Inter Milão, AC Milan e Juventus divulgaram esta quarta-feira comunicados em que anunciam o abandono do projeto de organização da Superliga, o que na prática deixa Real Madrid e Barcelona como únicos resistentes.

O Atlético foi o primeiro clube espanhol a fazê-lo, depois das críticas de adeptos a este projeto já abandonado pelos seis clubes ingleses e pelos três italianos.

Eis o comunicado oficial do Atlético Madrid:

"O Conselho de Administração do Atlético de Madrid, reunido na manhã desta quarta-feira, decidiu comunicar formalmente à Superliga e aos demais clubes fundadores a sua decisão de não formalizar a sua adesão ao projeto.

O Atlético de Madrid tomou a decisão, na última segunda-feira, de aderir a este projeto diante das circunstâncias que não ocorrem mais hoje.

Para o clube, é essencial concordar entre todos os grupos que compõem a família rojiblanca, especialmente os nossos adeptos.

A equipa principal e o seu treinador [Diego Simeone] demonstraram satisfação com a decisão do clube, entendendo que os méritos desportivos devem prevalecer sobre quaisquer outros critérios", pode ler-se no comunicado do clube espanhol.

Momentos depois do anúncio do Atlético Madrid, foi a vez do Inter Milão também juntar-se à lista de clubes que renunciam a participar na Superliga Europeia, lembrando a importância de dar "aos adeptos a melhor experiência no futebol" e que a "inovação e inclusão" fazem e sempre farão parte do "ADN" do clube.

Eis o comunicado oficial do Inter Milão:

"O Inter Milão confirma que o Clube não faz mais parte do projeto da Superliga. Estamos comprometidos em dar sempre aos adeptos a melhor experiência no futebol; inovação e inclusão fazem parte do nosso ADN desde a nossa fundação. O nosso engajamento com todas as partes interessadas em melhorar a indústria do futebol nunca mudará.

O Inter acredita que o futebol, como qualquer setor de atuação, deve ter interesse em melhorar constantemente as suas competições, a fim de continuar a excitar os adeptos de todas as idades ao redor do mundo, dentro de um quadro de sustentabilidade financeira.

Com essa visão continuaremos a trabalhar em conjunto com as instituições e todos os stakeholders para o futuro do desporto que todos amamos", lê-se no comunicado do emblema italiano.

O vizinho AC Milan seguiu o mesmo caminho que os nerazzurri, justificando em comunicado que se mostrou "sensível às vozes daqueles que amam este maravilhoso desporto", numa referência clara aos protestos dos adeptos, embora deixe a certeza que a administração do clube vai "continuar a trabalhar" para a elaboração de "um modelo sustentável para o futebol".

Eis o comunicado oficial do AC Milan:

"Aceitámos o convite para participar da Superliga com a intenção genuína de entregar a melhor competição europeia possível para fãs de futebol espalhados pelo mundo e no melhor interesse do clube e de nossos fãs.

Mudar nunca é fácil, mas é necessário evoluir para progredir, e as estruturas do futebol europeu evoluíram e mudaram ao longo das décadas. As opiniões e preocupações dos fãs de futebol foram expressadas com clareza sobre a Superliga e o Milan deve mostrar-se sensível às vozes daqueles que amam este maravilhoso desporto. Vamos continuar a trabalhar para entregar um modelo sustentável para o futebol", pode ler-se no comunicado.

Um dos momentos mais aguardados era a comunicação da Juventus, clube presidido por Andrea Agnelli, um dos grandes mentores da Superliga a par de Florentino Pérez, líder máximo do Real Madrid. O comunicado do clube de Turim surgiu ao início da tarde e falava numa resposta ao debate público que se seguiu ao anúncio da Superliga.

Ainda assim, a Juve continua a mostrar-se "convencida da solidez das premissas desportivas, comerciais e legais do projeto", considerando haver hipóteses limitadas de o projeto ser concluído da forma como originalmente foi concebida.

Eis o comunicado oficial da Juventus:

"Com referência ao comunicado de imprensa publicado pela Juventus Football Club SpA em 19 de abril de 2021, relativo à proposta de criação da Superliga, e ao debate público que se seguiu, o emitente esclarece estar ciente do pedido e das intenções expressas por certos clubes para desistir deste projeto, embora os trâmites necessários previstos no acordo entre os clubes não tenham sido concluídos.

Neste contexto, enquanto a Juventus continua convencida da solidez das premissas desportivas, comerciais e legais do projeto, acredita que atualmente as hipóteses de o projeto ser concluído na forma originalmente concebida são limitadas.

A Juventus continua comprometida em procurar a criação de valor de longo prazo para a empresa e para toda a indústria do futebol", diz o comunicado da Vecchia Signora.

Presidente da Juventus admite que projeto não tem condições para avançar

Entretanto, o presidente da Juventus, Andrea Agnelli, admitiu esta quarta-feira que o projeto da Superliga Europeia de futebol, não pode continuar com cinco ou seis equipas, em declarações à agência Reuters.

"Para ser franco e honesto, não", disse o dirigente, que manteve algumas dúvidas para o futuro e quando seis dos clubes ingleses que integravam o grupo de 12 fundadores da anunciada competição, abandonaram o projeto.

Agnelli, que falou antes de ter sido também oficializada a saída de Atlético de Madrid e Inter de Milão, disse à Reuters estar convicto da importância que a Superliga teria, mas admitiu que nas atuais circunstâncias o projeto não tenha condições para avançar.

"Continuo convicto da beleza do projeto, do valor que poderia ter dado à pirâmide, da criação da melhor competição do mundo. Mas admito que não seja assim. Agora não acredito que o projeto esteja pronto para avançar", considerou.

O dirigente na segunda-feira tinha dito que existia um "pacto de sangue" entre os 12 clubes fundadores para que a competição fosse uma realidade.

"Há um pacto de sangue entre os nossos clubes, a Superliga tem 100 por centro de probabilidades de sucesso, vamos seguir em frente", disse.

AC Milan, Arsenal, Atlético de Madrid, Chelsea, FC Barcelona, Inter Milão, Juventus, Liverpool, Manchester City, Manchester United, Real Madrid e Tottenham anunciaram no domingo a criação da Superliga europeia, à revelia de UEFA, federações nacionais e vários outros clubes.

A competição deveria ser disputada por 20 clubes, 15 dos quais fundadores - apesar de só terem sido revelados 12 - e outros cinco, qualificados anualmente.

Entretanto, a UEFA avisou que iria excluir todos os clubes que integrassem a Superliga, assegurando contar com o apoio das federações de Inglaterra, Espanha e Itália, bem como das ligas de futebol destes três países.

Algumas horas depois, após sofrerem grande contestação dos adeptos e críticas do primeiro-ministro Boris Johnson, os seis clubes ingleses anunciaram a saída do projeto, e já hoje Atlético de Madrid e Inter de Milão fizeram o mesmo.

No projeto, menos de 48 horas após o anúncio da sua criação, mantêm-se o Real Madrid, FC Barcelona, Juventus e AC Milan.

Barcelona diz que "todos os cenários estão em aberto"

O Barcelona considera que "todos os cenários estão em aberto" em relação à criação da Superliga europeia de futebol, depois do abandono dos seis clubes ingleses, de Atlético de Madrid e Inter Milão.

"Neste momento estamos na Superliga. Todos os cenários estão em aberto. Agora virão dias de conversações e, seguramente, negociações de todas as partes", explicaram à agência noticiosa EFE fontes do clube catalão.

Na terça-feira, a estação televisiva espanhola TV3 deu conta da inclusão, por parte do presidente do clube, Joan Laporta, de uma cláusula que deixa a presença do FC Barcelona na Superliga dependente da aprovação na assembleia de sócios compromissórios.

No mesmo dia, Gerard Piqué partilhou nas redes sociais a mensagem "o futebol pertence aos adeptos", numa aparente contestação ao projeto liderado pelo presidente do Real Madrid, Florentino Pérez, tendo sido o primeiro futebolista de um dos três emblemas espanhóis envolvidos a manifestar-se.

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