A seleção feminina foi esta segunda-feira recebida por Marcelo Rebelo de Sousa no Palácio de Belém antes da viagem para a Nova Zelândia, onde participará no Campeonato do Mundo de futebol feminino. O presidente da República quis estar ligado à estreia de Portugal e deu-lhes honras de Estado por três motivos. Primeiro porque não pode estar presente no último jogo de preparação - sexta-feira, no Bessa, com a Ucrânia - devido ao desmaio da semana passada que o levou a cancelar alguns compromissos da agenda presidencial. Marcelo ficou com pena de ter perdido um "show de bola" e não ter contribuído para o recorde de assistência de um jogo da equipa das quinas (20 123 espetadores). Segundo ele, o mais importante nem foi o triunfo (2-0, com golos de Jéssica Silva), mas ver que elas "lutaram em cada jogada e cada lance como se fosse o último da vida". E é essa forma de viver a vida que ele considera "fundamental" transpor para a fase final..O segundo motivo teve fundamentos históricos, com o PR a recordar que a seleção masculina fez o primeiro jogo oficial em 1921, em Madrid, e perdeu na estreia com Espanha (2-1). Além disso demorou 45 anos até chegar a um Mundial, em 1966. Já a seleção feminina só entra na história do futebol português em 1981, 60 anos depois da masculina se estrear, quando um grupo de apenas 16 jogadoras foi a França representar Portugal e empatar (1-1) e conseguiu agora, 42 anos depois, a primeira presença numa fase final de um Mundial. E tirando ainda os dez anos em que nem sequer houve seleção feminina (entre 1983 e 1993), então "as mulheres demoraram 32 anos a fazer o que os homens fizeram em 45 anos", segundo as contas do presidente..O terceiro motivo tem a ver com a base escolha. Se os jogadores federados são cerca de 210 mil, as jogadoras federadas são cerca de 15 mil, uma base de escolha que torna "muitíssimo mais difícil" obter uma equipa de elite: "Isto é para mostrar como foi difícil a afirmação das mulheres no futebol nacional. Mas não foi só no futebol, foi em tudo. O percurso das mulheres foi mais rápido. Nos últimos dez anos, multiplicou-se por quatro a base de recrutamento de mulheres no futebol português. É muito mais fácil recrutar uma equipa de homens para ir torneios internacionais que uma equipa de mulheres. É importante fazer essas contas para se ter a noção do histórico que vocês fizeram.".Para o Presidente da República, o mais importante "não é resistir ao impossível, é fazer o impossível", no grupo mais difícil de todos, segundo a avaliação do chefe de Estado:" Têm a campeã [EUA] e a vice-campeã [Países Baixos]. Parece de propósito, mas ainda bem que é assim. Era mau se fossem para lá para ver o que dá. O vosso espírito é fazer o impossível. E é possível fazer o impossível. Já o fizemos e mesmo no domínio do futebol, em várias circunstâncias. Vocês já o fizeram. Vocês são das melhores das melhores. Eu diria mesmo, das melhores das melhores e dos melhores dos melhores.".As capitães Dolores Silva, Ana Borges e Sílvia Rebelo ofereceram-lhe depois, em nome da equipa, uma camisola, uma bola e um cachecol e acabaram a cantar o A Portuguesa no Palácio e a registar o momento nas tradicional selfie ou marcelfie..O presidente da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) abriu a cerimónia lembrando que a seleção nacional estava ali depois de ter conseguido a presença no mundial, "um dos maiores feitos do futebol português". Para Fernando Gomes o dia 10 de julho passa agora a ser uma data duplamente importantes. Se há sete anos a seleção masculina conquistava o Euro 2016, hoje a seleção feminina parte para o primeiro Campeonato do Mundo da história..A competição começa no dia 20 e o primeiro jogo de Portugal é no dia 23 com os Países Baixos. Inserida no grupo E, a equipa portuguesa terá ainda como adversários o Vietname (dia 27) e os Estados Unidos da América (1 de agosto). O selecionador Francisco Neto prometeu "muita ambição e muita crença" e destacou a "coragem e a ousadia" das atletas. "O sucesso desta geração de jogadoras, que honra as gerações passadas" e que prova que "no futebol feminino português os impossíveis acabaram". O técnico nacional espera "voltar ao Palácio de Belém em agosto... e quanto mais tarde melhor". Porque isso seria sinal que a seleção passaria a fase de grupos, algo que ninguém se atreve a colocar como objetivo uma vez que enfrentará a campeã (EUA) e a vice-campeã mundial (Países Baixos)..A nona edição, e primeira alargada a 32 seleções, realiza-se entre 20 de julho e 20 de agosto, na Austrália e na Nova Zelândia, onde vão estar, entre outras, as quatro campeãs mundiais, e igualmente oito estreantes (Haiti, Marrocos, Panamá, Filipinas, Portugal, República da Irlanda, Vietname e Zâmbia).