As jogadoras do Irão que defrontaram as Filipinas, em jogo da Taça Asiática, na Austrália
As jogadoras do Irão que defrontaram as Filipinas, em jogo da Taça Asiática, na AustráliaDAVE HUNT/EPA

Arrependimento de última hora obrigou Austrália a mudar esconderijo de jogadoras iranianas que pediram asilo

Golnoosh Khosravi, de 25 anos, não conseguiu avançar com o cenário de desertar do Irão sem ter a bênção da mãe.
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Um arrependimento de última hora de uma das jogadoras da seleção feminina de futebol do Irão que pediram asilo à Austrália obrigou as autoridades australianas a retirar de urgência outras seis atletas iranianas do local secreto onde estavam protegidas.

Segundo o ministro da Imigração australiano, Tony Burke, uma das iranianas que tinha aceitado um visto humanitário mudou de ideias depois de contactar familiares no Irão e acabou por revelar a sua localização à embaixada iraniana em Camberra. Perante o risco de exposição, o governo australiano teve de ordenar a transferência imediata das restantes atletas para outro local seguro.

“Infelizmente, ao tomar essa decisão, ela foi aconselhada por colegas e pelo treinador a contactar a embaixada iraniana para que a fossem buscar”, explicou Burke no parlamento australiano. “Assim que soube disso, dei instruções para que as outras fossem movidas.”

As jogadoras encontravam-se num local secreto em Brisbane sob proteção da Polícia Federal Australiana, numa operação destinada a evitar pressões do regime iraniano ou tentativas de as convencer a regressar ao país.

A atleta que voltou atrás terá sido a defensora Golnoosh Khosravi, de 25 anos, considerada por membros da comunidade iraniana na Austrália como uma das candidatas mais prováveis a desertar da delegação, segundo a CNN.

Khosravi chegou mesmo a assinar a documentação necessária para permanecer na Austrália. Contudo, enquanto a equipa se preparava para regressar à Ásia, pediu tempo para falar com a família no Irão antes de tomar a decisão final. Segundo uma fonte citada pelo jornal britânico Daily Mail, a jogadora não conseguia avançar com “o cenário de desertar sem ter a bênção da mãe”.

Quando finalmente conseguiu falar com familiares no Irão, a jogadora acabou por optar por regressar com o resto da delegação iraniana num voo que partiu de Sydney rumo a Kuala Lumpur, abandonando assim o plano de iniciar uma nova vida na Austrália.

Polémica após protesto silencioso

Os pedidos de asilo de jogadoras iranianas ocorreram durante a participação do Irão na Taça Asiática feminina, realizada na Austrália. Antes do primeiro jogo do torneio, várias jogadoras permaneceram em silêncio durante o hino nacional, num gesto interpretado como protesto contra o regime iraniano. O episódio gerou fortes críticas na comunicação social estatal iraniana, que chegou a classificar algumas atletas como “traidoras”.

Temendo represálias caso regressassem ao país, várias jogadoras aceitaram a oferta de proteção do governo australiano. Inicialmente, cinco decidiram permanecer, às quais se juntaram entretanto outras duas, antes de Khosravi se arrepender e decidir voltar ao Irão. Ficaram assim em solo australiano seis futebolistas iranianas, que vão agora iniciar o processo para obter residência permanente.

“Depois de tudo o que passaram, queremos assegurar que possam reconstruir as suas vidas em segurança”, afirmou o ministro da Imigração australiano.

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