Cinco futebolistas da seleção feminina de futebol do Irão deixaram o centro de treinos da equipa e pediram refúgio à Austrália por temerem "enfrentar graves consequências" se regressassem ao país. Isto depois de se terem recusado a cantar o hino nacional em protesto contra o regime antes do jogo com a Coreia do Sul, na estreia na Taça da Ásia de 2026 que se realiza precisamente na Austrália.De acordo com o gabinete do príncipe herdeiro Reza Pahlavi, que se encontra exilado, as futebolistas Fatemeh Pasandideh, Zahra Ghanbari, Zahra Sarbali, Atefeh Ramazanzadeh e Mona Hamoudi estão num "local seguro".Isto depois de o presidente norte-americano Donald Trump ter criticado o governo australiano por, alegadamente, não acolher as jogadoras forçando-as a regressar ao Irão. "A Austrália está a cometer um terrível erro humanitário ao permitir que a seleção nacional de futebol feminino seja forçada a regressar ao Irão, onde muito provavelmente serão mortas", escreveu o presidente dos EUA na rede social Truth Social, lançando um apelo: "Não faça isso, sr. primeiro-ministro, conceda asilo. Os EUA acolhê-las-ão, se o senhor não o fizer.". Cerca de uma hora e meia depois, Trump voltou a utilizar a rede social Truth Social para se retratar, dizendo que, após uma conversa com o primeiro-ministro Anthony Albanese, ficou a saber que "ele está a tratar do assunto"."Cinco jogadoras já foram atendidas e as restantes estão a caminho. Algumas delas, no entanto, sentem que têm de voltar porque estão preocupadas com a segurança das suas famílias", uma vez que "recebem ameaças de que os seus familiares podem sofrer caso não regressem". "O primeiro-ministro está a fazer um excelente trabalho em relação a esta situação delicada. Deus abençoe a Austrália!", finalizou Trump..Desde que a seleção iraniana foi eliminada da Taça da Ásia ao perder no domingo por 0-2 com as Filipinas em Gold Coast, no estado de em Queensland, o governo australiano ficou sob pressão para proteger a equipa iraniana.Isto porque as jogadoras foram criticadas na televisão estatal iraniana por terem cometido o "ápice da desonra" depois de terem ficado em silêncio durante o hino nacional. "Os traidores em tempos de guerra devem ser tratados com severidade", disse o apresentador Mohammad Reza Shahbazi, citado pela agência Reuters.Enquanto uns diziam que esse silêncio era um ato de resistência, outros argumentavam que era uma demonstração de luto na sequência dos primeiros ataques dos EUA e de Israel. Uma dúvida que não foi desfeita pelas jogadoras, que nas partidas com a Austrália e as Filipinas cantaram o hino enquanto faziam continência numa clara indicação de que tinham recebido ordens para fazê-lo.O sindicato internacional dos jogadores, a FIFPRO, disse estar "preocupada" com o bem-estar das atletas, uma vez que não conseguia entrar em contato com elas desde que, após o jogo com as Filipinas, dezenas de pessoas cercaram o autocarro da seleção gritando "deixem-nas ir" e "salvem nossas meninas".A cadeia de televisão norte-americana CNN revelou que alguns adeptos disseram ter visto pelo menos três jogadoras, já dentro do autocarro, a fazer o gesto internacional de socorro.Reza Pahlavi tinha alertado para o facto de a equipa enfrentar uma grande ameaça depois do "ato corajoso" de não ter cantado o hino. "Como resultado deste ato corajoso de desobediência civil ao se recusarem a cantar o hino nacional do atual regime, elas vão enfrentar graves consequências se voltarem ao Irão. Apelo por isso ao governo australiano para que garanta a segurança delas e lhes dê todo o apoio", escreveu o príncipe herdeiro, que se encontra exilado nos Estados Unidos..Preocupação internacional com jogadoras do Irão por recusa em cantar hino. Cinco procuram refúgio na Austrália