Armando Sá foi durante quatro anos treinador adjunto dos canadianos do Pacific FC, na cidade de Langford, na costa oeste do Canadá.
Armando Sá foi durante quatro anos treinador adjunto dos canadianos do Pacific FC, na cidade de Langford, na costa oeste do Canadá.FOTO: DR

Armando Sá fala da estreia no Mundial e aponta ao sucesso: "Portugal está preparadíssimo para chegar à final”

O antigo jogador de Benfica e Sp. Braga vive no Canadá e como tal acompanha de perto o torneio. Ao DN avisa que “Portugal tem de estar atento e respeitar o Congo” no jogo de estreia em Houston.
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Portugal estreia-se no Mundial esta quarta-feira frente à República Democrática do Congo e Armando Sá não ignora os sinais deixados pela competição até ao momento, durante a qual as equipas europeias e sul-americanas têm sentido muitas dificuldades em vencer os seus jogos, algo que só Alemanha, Escócia e Suécia conseguiram.

Para o antigo defesa, que vive há vários anos no Canadá, uma das nações organizadoras da prova, a seleção nacional deve entrar avisada no relvado do Estádio NRG, em Houston. “Já houve algumas surpresas neste Mundial e Portugal tem de estar atento. Tem de respeitar a seleção do Congo, mas também estar consciente do seu valor”, afirma Armando Sá, em declarações ao DN.

Ainda assim, o antigo jogador de Benfica, Sp. Braga, Villarreal e Leeds acredita que a equipa nacional tem argumentos suficientes para evitar uma surpresa na estreia.

“Portugal tem jogadores experientes, que competem na Liga dos Campeões, que são decisivos nos seus clubes e que já foram campeões. Esta seleção tem muita maturidade para este tipo de jogos e acredito que não será surpreendida pela República Democrática do Congo”, sublinha.

Armando Sá antecipa uma seleção congolesa mais expectante, preparada para baixar linhas e explorar a velocidade nas transições. Por isso, considera que Portugal terá de assumir a iniciativa desde cedo.

“Portugal tem de controlar o jogo, evitar as transições e tentar anular todos os momentos em que o Congo possa sair. Com bola, tem de circular rápido, mover o adversário, tirá-lo da posição. Acredito que o Congo vai fechar-se um pouco e tentar sair em transição, por isso Portugal terá de ser rápido na posse e muito atento quando perder a bola”, analisa.

Neste momento a estudar propostas depois de ter passado quatro épocas como treinador adjunto dos canadianos do Pacific FC, clube da cidade de Langford, na costa oeste do Canadá, Armando Sá vê Portugal entre as seleções mais fortes da competição. Mais do que uma candidatura teórica, entende que a equipa de Roberto Martínez tem condições reais para pensar alto.

“Portugal é um dos favoritos. O primeiro obstáculo é a República Democrática do Congo. Depois, é passar os jogos seguintes, apanhar ritmo e crescer dentro do Mundial. Acredito que Portugal está preparadíssimo para chegar à final”, defende.

Questionado sobre os jogadores portugueses que podem ser decisivos, Armando Sá prefere não individualizar. Para o antigo defesa, o sucesso dependerá sobretudo da força coletiva.

“Não quero falar muito num só jogador. Quero que a seleção seja decisiva. Que seja forte, unida e preparada para todas as dificuldades. Neste Mundial já se viu muita força de grupo, equipas muito unidas e pouco individualismo. Portugal tem de fazer o mesmo”, aponta.

A ambição assumida por Pedro Proença, que colocou a conquista do título como objetivo, também não é vista como um fator de pressão adicional. Para Armando Sá, trata-se apenas da verbalização de uma expectativa natural.

“Não acho que Pedro Proença tenha dito isso para pressionar a seleção. Acho que disse aquilo que todos os portugueses desejam. Os jogadores, o treinador e os adeptos querem que Portugal lute pelo título. É essa a esperança e a vontade de todos”, considera.

Também a chegada tardia da seleção nacional ao continente americano não o preocupa. Armando Sá entende que a Federação Portuguesa de Futebol tomou uma decisão lógica ao prolongar o trabalho em Portugal antes da viagem.

“A seleção fez o que tinha de fazer. Trabalhou em casa, preparou os jogos, recuperou os jogadores e organizou tudo estrategicamente. O trabalho de casa foi feito em Portugal. Agora, nos Estados Unidos, o mais importante será ajustar ao fuso horário, ao clima, aos campos e a todos esses detalhes para entrar bem na competição”, explica.

A viver no Canadá, Armando Sá admite que seria especial ver Portugal jogar no país durante o Mundial. “Era bonito. Há muitos portugueses no Canadá, muitos imigrantes dos Açores, da Madeira e também do continente, que já não veem a seleção há muito tempo e têm muito orgulho em Portugal”, diz. Ainda assim, lembra a dimensão do território canadiano: “Às vezes, pode até ser mais fácil para alguns portugueses irem aos Estados Unidos ver a seleção do que deslocarem-se dentro do próprio Canadá.”

Sobre o ambiente no país anfitrião, o antigo jogador nota um entusiasmo crescente. “O Canadá está a fazer tudo para organizar o campeonato da melhor maneira, especialmente em Toronto e Vancouver, onde se vão realizar jogos. Há muito entusiasmo e muita crença, também desde a chegada do selecionador Jesse Marsch, com um discurso positivo e motivador sobre a possibilidade de construir uma seleção forte e competitiva.”

Quanto ao novo formato, com 48 equipas, Armando Sá admite reservas iniciais, mas reconhece sinais positivos. “No princípio, assustou-me um bocado, porque pensei que podia perder-se alguma intensidade. Mas os jogos mostraram paixão, alegria e nações a viverem o sonho. Se as seleções teoricamente menos fortes conseguirem ser competitivas ao longo da prova, então este formato pode ser benéfico para o futebol.”

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