No sábado, em Barcelona, jogam-se as primeiras armas na Volta a França com uma etapa de contrarrelógio por equipas. Os 19,4km de esforço coletivo, uma especialidade quase rara na atualidade, entregam a possibilidade de Pogacar fazer o que sonhou no Giro de 2024, que venceu: levar a camisola de líder de início ao fim.Na Volta a Itália, ficou no pódio da 1.ª etapa e gorou-se o objetivo, agora pode bem ser mais um aliciante para o arranque de uma edição que pode ser histórica para o esloveno da UAE Emirates. Trinta e um anos depois do último, no caso o espanhol Miguel Indurain, Pogacar poderá entrar para o lote de vencedores com cinco títulos e fazê-lo em apenas sete anos de competição no Tour. Eddy Merckx, da Bélgica (1969, 1970, 1971, 1972 e 1974), e os franceses Jacques Anquetil (1957, 1961, 1962, 1963 e 1964) e Bernard Hinault (1978, 1979, 1981, 1982 e 1985) antecederam Indurain, o único a alcançar os triunfos de forma consecutiva (1991 a 1995), já retirado o recorde de Lance Armstrong, após o mesmo assumir consumo de substâncias dopantes e transfusões sanguíneas para melhorar o rendimento ao longo da carreira.Face ao que já conquistou no ciclismo, Pogacar terá na chegada ao quinto Tour um verdadeiro carimbo que o coloca em paralelo com Merckx no lote de maiores de sempre. Tem 21 etapas conquistadas na prova (o belga chegou às 34) e já soma 13 clássicas monumento, só faltando a Paris-Roubaix para vencer as cinco principais do calendário (está a seis de Merckx). Foi já duas vezes Campeão do Mundo, a um título apenas do Canibal, o mais completo e prolífico vencedor da história da modalidade.Com 27 anos, Pogacar candidata-se ao que Froome sonhou ser possível, depois de vencer as edições de 2013, 2015, 2016 e 2017, embora surgindo, em 2018, atrás do colega Geraint Thomas depois de ter vencido o Giro nesse mesmo ano. O grave acidente que sofreu antes do Tour de 2019 mitigou a possibilidade de o britânico acalentar tal possibilidade. É dado adquirido que Pogacar chega como grande favorito. Dominou com três vitórias de etapa e mais de seis minutos de avanço a Volta à Suíça. Sem João Almeida na equipa, poderá contar na montanha com Adam Yates, crucial em duas conquistas do esloveno e recuperado da queda no Giro, e Isaac del Toro, que pode bem sonhar com um top-5. Jonas Vingegaard, segundo em 2021, 2024 e 2025 e campeão em 2022 e 2023, é o maior obstáculo, embora venha do Giro, que ganhou com conforto. É acompanhado pelos habituais trepadores Kuss e Jorgenson. Remco Evenepoel, terceiro em 2024, está na Red-Bull Bora-hansgrohe e é líder inequívoco, mas frente a Pogacar só se tem superiorizado no contrarrelógio. Ainda assim, o bicampeão olímpico preenche a candidatura clara ao pódio. Na liga à parte em que se prevê estar este trio, França deposita esperanças na promessa Paul Seixas, descendente de portugueses. Pela Decathlon CMA, qualquer lugar do pódio seria encorajador para a euforia que se vive em França com o atleta, de apenas 19 anos. Portugal terá apenas um atleta em prova, no caso Nelson Oliveira, que amplia para 24 as Grandes Voltas feitas na carreira, um recorde entre lusos na história da modalidade. Vai para a décima Volta a França da carreira e compete pela Movistar. "Não é coisa que me faça deixar de dormir. Quando fiz a minha primeira grande Volta [em 2011], nunca pensei ter 23 grandes Voltas terminadas. [...] Espero chegar ao final da corrida e que não tenha nenhum azar no caminho que me faça abandonar. Não quero pensar nisso agora, quero desfrutar deste Tour o melhor possível", afirmou à Lusa.Alterações em cursoEste ano, está prevista uma alteração regulamentar que entrega aos vencedores de etapas planas mais pontos. No caso, passando de 50 para 70, contra os 30 que os trepadores embolsam numa jornada de montanha. O sonho de vencer a camisola verde sairá do imaginário de Pogacar que, dado o domínio em 2025, ficou a menos de 80 pontos de Jonathan Milan. Só existem duas etapas para trepadores na primeira semana. Depois, as subidas de Haag (14.ª etapa) e o Plateau de Solaison (15.ª) antecedem um contrarrelógio de 26km (16.ª etapa) que favorece escaladores. As etapas 19 e 20 decidem a edição 113 do Tour, ambas com final no Alpe d’Huez. A repetição da montanha mítica não tem convencido a imprensa francesa..Pogacar ataca paralelos do “inferno do norte” para ser o primeiro a conquistar cinco 'monumentos' seguidos.Tour. Pogacar confirma o 'tetra' em Paris.Paul Seixas aprendeu a cantar vitória em português e candidata-se a ser o rival de Pogacar no ciclismo .Tadej Pogacar ganha pela primeira vez a Milan-Sanremo.Vingegaard entra como favorito no Giro de Itália e corre para ser o oitavo a ganhar as três grandes voltas