Pódio inédito sabe a pouco para o que João Almeida fez no Giro

Basta chegar a Roma para o português da UAE fazer história. Só Joaquim Agostinho consegui fazer melhor numa grande volta.
Publicado a
Atualizado a

Se a procissão de 126 quilómetros de domingo rumo ao Coliseu de Roma não produzir uma grande surpresa, Primoz Roglic (Jumbo-Visma) será coroado como vencedor do 106.º Giro. Este sábado, o esloveno ganhou a 20.ª e penúltima etapa da Volta a Itália, arrebatando a liderança da geral, que era de Geraint Thomas e com o português da UAE Emirates a terminar a cronoescalada em terceiro... lugar que mantém na geral.

Basta chegar a Roma para o fazer história. Terminar o Giro em 3.º lugar faz do português de 24 anos o único a conseguir acabar a prova italiana entre os três primeiros e entra num lote onde apenas reinava Joaquim Agostinho. O "lingrinhas de A-dos-Francos" vai por fim a um jejum de 44 anos de pódios nas três grandes voltas (Tour, Giro e Vuelta).

Desde o terceiro lugar de Joaquim Agostinho no Tour de 1979, um ano depois de fazer o mesmo em 1978, depois do segundo posto na Volta a Espanha de 1974. "A primeira parte senti-me fantástico. Estava um pouco nervoso, mas assim que comecei a subir senti-me ainda melhor. Estou contente com o meu esforço. Terceiro lugar é muito bom, estou feliz com o resultado", disse o português, admitindo que Primoz Roglic e Geraint Thomas foram superiores, não só ontem como na prova toda.

Para além de ter ganho uma etapa pela primeira vez (a 16.ª), João Almeida vai ainda terminar como líder da juventude. É assim o primeiro português a vencer a classificação da Juventude de qualquer uma das três principais provas do calendário, naquela que é a primeira classificação secundária desde a montanha de Ruben Guerreiro em 2020. E vai melhorar ainda a sua melhor participação na prova italiana, depois do 4.º lugar, em 2020, do 6.º lugar, em 2021, e de uma desistência forçada devido à covid-19, em 2022. "Estou a evoluir a cada ano. Estou muito satisfeito e a olhar para o futuro. Foi um bom Giro", admitiu, entusiasmado com a festa final e pelas férias.

O ciclista tinha antecipado na entrevista ao DN antes da prova ir para a estrada, a ambição de ganhar o Giro 2023 e levantar "o troféu mais bonito" do ciclismo mundial, colocando o objetivo mínimo uma presença no pódio. A 126 km de cumpriu o objetivo pode-se dizer que sabe a pouco pelo desempenho brutal e pelo que fez os portugueses sonhar nas três semanas de prova.

Roglic cumpriu a cronoescalada de 18,6 quilómetros entre Tarvisio e Monte Lussari em 44.23 minutos, apesar de ter um problema mecânico na subida, deixando o britânico Geraint Thomas (INEOS) em segundo, a 40 segundos, e João Almeida em terceiro, a 42s. A vitória mudou as contas da geral, com o esloveno a ultrapassar o britânico na liderança, com 14 segundos de margem para o vencedor da Volta a França em 2018, e 1.15 minutos para o português.

Tempo humanamente impossível de recuperar no passeio que costuma ser a última etapa do Giro. O ciclista da UAE sabe bem disso e felicitou o esloveno da Jumbo-Visma pelo triunfo no final da etapa. Se no início do Giro a luta era entre Remco Evenepoel, Primoz Roglic e João Almeida, a desistência do belga não deixou os outros dois favoritos sozinhos. Geraint Thomas (INEOS) entrou na equação e liderou vários dias, até ser superado por Roglic ontem.

O antigo campeão mundial júnior de saltos de esqui, que teve uma lesão grave, começou tarde no ciclismo e tornou-se profissional em 2013, tendo ganho a Vuelta seis anos depois. Triunfo que Primoz Roglic repetiu em 2020 e 2021. Agora o esloveno prepara-se para levantar o troféu da Volta a Itália.

isaura.almeida@dn.pt

Artigos Relacionados

No stories found.
Diário de Notícias
www.dn.pt