Pedida exclusão de atletas russos de todas as competições

Relatório independente divulgado hoje conclui que o Governo russo dirigiu um programa de dopagem no desporto com apoio estatal, com participação ativa do ministro dos Desportos e dos serviços secretos

A Agência Mundial Antidopagem (AMA) pediu hoje a exclusão dos atletas russos de todas as competições internacionais, incluindo os Jogos Olímpicos Rio 2016, na sequência da divulgação de um relatório sobre um programa de dopagem com apoio estatal.

"A AMA pede ao movimento desportivo que impeça a participação de atletas russos em competições internacionais, enquanto o país realizar mudanças profundas", refere o organismo em comunicado.

O relatório do professor canadiano Richard McLaren refere que o programa "à prova de falhas" foi colocado em prática pelos responsáveis russos, inclusivamente durante os Jogos Olímpicos de Inverno Sochi2014.

De acordo com o documento, o ministro dos Desportos da Rússia, Vitaly Mutko, teve "participação ativa" neste sistema, que teve a assistência dos serviços secretos nos laboratórios antidopagem de Moscovo e Sochi.

Governo russo dirigiu um sistema de doping

"O laboratório de Moscovo operou para a proteção de atletas russos dopados, dentro de um sistema 'à prova de falhas' conduzido pelo estado", especifica o relatório de Richard McLaren.

Na mesma conclusão, o responsável diz que o "laboratório de Sochi operou um método de troca de amostras, para permitir que os atletas russos dopados competissem nos Jogos Olímpicos de Inverno".

A análise diz ainda que o ministro dos desportos russo teve uma intervenção direta no processo.

"Dirigiu, controlou e supervisionou a manipulação dos resultados dos atletas ou da troca da amostra, e contou com a participação e assistência ativa da FSB (serviços federais secretos russos), do CSP (Centro de Preparação Desportiva dos Atletas Russos) e dos laboratórios de Moscovo e Sochi", lê-se.

Richard McLaren foi a pessoa encarregada da investigação às acusações feitas pelo antigo diretor do laboratório antidopagem, Grigory Rodchenkov, atualmente a viver nos Estados Unidos, e que revelou como os serviços secretos ajudavam a ocultar o doping.

"Estou firmemente confiante no nosso relatório", disse McLaren, acrescentando que o mesmo "é credível e verificável".

O professor responsável disse também que o testemunho de Rodchenkov foi credível e que se trata de alguém verdadeiro.

De acordo com McLaren, cujo relatório foi hoje tornado público em Toronto, o programa intrincado de doping na Rússia "trabalhava como um relógio suíço" e ajudou pelo menos 15 atletas a serem medalhados.

O documento não visa apenas os Jogos Olímpicos de Sochi, mas também os Mundiais de atletismo de 2013, em Moscovo, com McLaren a apontar para a troca de amostras de urina positivas, antes das mesmas serem levadas para análise.

A intervenção de Richard McLaren no escândalo surgiu a pedido da Agência Mundial Antidopagem (AMA), no seguimento das acusações feitas por Grigory Rodchenkov quanto à manipulação de amostras nos Jogos de Sochi.

Estados Unidos e Canadá pedem exclusão da Rússia

As autoridades de antidopagem do Canadá e dos Estados Unidos pediram hoje a exclusão da Rússia dos Jogos Olímpicos Rio2016.

Em carta enviada a várias agências nacionais de combate ao 'doping', os responsáveis canadianos e norte-americanos que os atletas russos devem ser impedidos de participar nos Jogos Olímpicos e Paralímpicos caso "sejam encontradas provas de que o governo russo apoiou o recurso ao 'doping'".

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