Afonso Eulálio recorda aventura de rosa: “Todos os dias tinha centenas de entrevistas”
Federação Portuguesa de Ciclismo

Afonso Eulálio recorda aventura de rosa: “Todos os dias tinha centenas de entrevistas”

Melhor jovem da Volta a Itália admite que a aventura de rosa mudou os planos da Bahrain Victorious, apontando agora à estreia na Volta a França em 2027.
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Afonso Eulálio assumiu esta quinta-feira, em conferência de imprensa online, que a participação na Volta a Itália de 2026 ultrapassou todas as expectativas e acabou por alterar os planos da Bahrain Victorious para as próximas temporadas. O ciclista português explicou que entrou no Giro apenas com outras funções, mas a queda de Santiago Buitrago acabou por abrir caminho a uma campanha inesperada pela classificação geral. “Quando começou o Giro eu ia apenas como gregário para apoiar o Santiago. Depois eu ia ter as minhas oportunidades mais para a frente. Talvez lutar por uma etapa, duas, tentar fazer o meu melhor”, começou por recordar o corredor da Figueira da Foz, explicando que a mudança de estratégia surgiu naturalmente após a desistência do líder da equipa. 

A quinta etapa, entre Praia a Mare e Potenza, já estava identificada como uma oportunidade ideal para o português, que revelou ter preparado o dia ao detalhe com a equipa. “Era uma etapa bastante à minha imagem. Analisámos tudo ao pormenor, a chegada, o início, analisámos a etapa toda e acabámos por ficar muito focados nessa etapa. As coisas correram quase de forma perfeita para nós, só faltou mesmo a vitória”, explicou. 

A fuga desse dia permitiu-lhe vestir a camisola rosa e ganhar tempo suficiente para alimentar uma ambição que, até então, era apenas hipotética dentro da Bahrain Victorious. “Já tínhamos falado em tentar correr para a geral, mas nunca pensámos fazê-lo de verdade. Foi sempre um pouco na brincadeira”, confessou Eulálio, acrescentando: “Como tínhamos perdido o nosso líder, acabei por falar com os diretores e decidimos ir correr para a geral e tentar. Se as coisas não corressem bem, não corriam. Mas se corressem bem, corriam”

Apesar de ter falhado o triunfo de etapa que inicialmente ambicionava, o português garantiu que o balanço final acabou por compensar largamente essa ausência. “Queria bastante a etapa. No fim do Giro, tudo acabou por se tornar tão grande. Vesti a camisola rosa, acabei com a camisola branca. Fiz top 10. Não teve mal nenhum a vitória ter ficado de lado”, afirmou, desvalorizando o facto de não ter somado uma vitória parcial. 

Os nove dias de liderança da corrida italiana trouxeram, contudo, um desgaste extra, sobretudo fora da estrada. O português admitiu que o impacto mediático da camisola rosa condicionou parte da recuperação diária. “Todos os dias tinha de ir ao pódio. Todos os dias tinha controlo antidoping. Todos os dias tinha centenas de entrevistas”, contou, explicando que muitas vezes chegava tarde ao hotel, quando os restantes colegas já estavam a descansar. 

Pelo meio, houve ainda espaço para conversas descontraídas com Jonas Vingegaard, vencedor da prova italiana. “[O Jonas] é uma pessoa bastante simples. Falávamos coisas normais sobre a corrida e os nossos planos para o futuro”, revelou Eulálio, acrescentando que até brincavam com a luta pela camisola branca. 

Quanto ao futuro, o figueirense confirmou que a estreia na Volta a França deverá acontecer em 2027, mas sem objetivos na classificação geral. “Vou fazer o Tour 100% relaxado, sem correr para a geral. Vou suportar os meus líderes, correr por uma etapa, tentar melhorar”, afirmou, admitindo que apenas dentro de dois anos poderá voltar a pensar numa candidatura à geral de uma Grande Volta. Até lá, quer continuar a evoluir na montanha e no contrarrelógio, sem abdicar do estilo ofensivo que já o caracteriza. “Eu gosto bastante de atacar. Quando não ataco é porque não tenho pernas”, rematou. 

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