Jorge Jesus será apresentado hoje (15h00), dia em que passam dez anos da conquista do Euro 2026, como selecionador nacional. O treinador português de 71 anos assinou um contrato válido até 2030 e não tem tempo a perder. O primeiro teste do novo técnico será defender o troféu da Liga das Nações conquistado em 2025, com Roberto Martínez, que deixou a seleção após a eliminação nos oitavos-de-final do Mundial 2026.Portugal integra o Grupo A4, com Dinamarca, Noruega e País de Gales e os jogos já estão agendados para setembro e outubro. O primeiro jogo está marcado para o dia 24 de setembro, no Estádio José Alvalade, frente ao País de Gales. Seguir-se-ão duelos com Noruega (fora), Dinamarca (fora) e, novamente, a Noruega (casa). A primeira convocatória terá de ser feita em meados do mês de setembro e com a época ainda no início. E não é só o quarentão Ronaldo que é preciso gerir no imediato e a longo prazo. A longo prazo será a gestão dos dois criativos da seleção na última década, Bruno Fernandes e Bernardo Silva, ambos com 31 anos. .O salário, os fiéis adjuntos e as novidades na equipa técnica de Jorge Jesus na seleção nacional.Fora do aspeto técnico-tática, o novo selecionador terá de lidar com a frustração generalizada do futebol português, mas com especial enfoco no balneário: a próxima oportunidade de conquistar o título mundial é só daqui a quatro anos, mas Portugal já está apurado por ser um dos anfitriões, juntamente com Espanha e Marrocos... curiosamente ambos carrascos de Portugal nos dois últimos Campeonatos do Mundo.O DN projeta as armas, entre novos valores e atletas que cimentaram o seu espaço na equipa, com que o selecionador poderá preparar este novo ciclo..DEFESA - Renato Veiga acabou com dúvidas sobre renovação ao centro, mas lateral direita precisa de opçõesRenato Veiga foi, a par de Diogo Costa, o único totalista de Portugal no Mundial 2026 e um dos melhores portugueses do torneio, mostrando, aos 22 anos, ser já uma certeza e não uma mera opção. Revelador de quem subiu a pulso na vida e na carreira, o defesa preterido por Ruben Amorim no Sporting, que se fez à vida emigrando, começou a titular, depois de ganhar o lugar a Gonçalo Inácio, e por lá se manteve com exibições de bom nível em todos os jogos.Antes do Mundial 2026, uma das maiores questões era sobre quem seria o parceiro de Rúben Dias no centro da defesa. Gonçalo Inácio parecia a opção natural, mas foi o jogador do Villarreal que se impôs, embora o papel que lhe foi pedido para desempenhar tenha sido diferente daquele que tinha tido quando se estreou em 2024 e Portugal atuava com uma linha de três centrais. As exibições no Mundial colocam-no na linha da frente para, agora com Jesus na seleção, continuar a ser o parceiro preferencial de Rúben Dias nesta novo ciclo.De fora da lista ficou António Silva, que tinha estado presente nas convocatórias para fases finais do Mundial 2022 (ainda com Fernando Santos), do Euro 2024 e Liga das Nações 2025, mas falhou a lista do Mundial 2026. Roberto Martínez explicou que optou por levar mais laterais do que defesas centrais (5 contra 4) e escolheu “o colega dele, Tomás Araújo”, a quem deu a titularidade no primeiro jogo do Mundial, frente à RD Congo (1-1), face à lesão de Rúben Dias.Tanto Renato, como Gonçalo Inácio, Tomás Araújo e António Silva são opões com muito futuro, pela experiência e pela idade, mas Gabriel Brás (FC Porto B) e João Muniz (Sporting B) são os sub-21 que se seguem.Nas laterais, principalmente no lado direito, a renovação urge face aos 32 anos de Nélson Semedo e João Cancelo. Os sub-21 Daniel Banjaqui (Benfica), Diogo Travassos (Sp. Braga) ou Martim Fernandes (FC Porto) parecem ainda longe de se fixarem nas convocatórias. Alberto Costa (FC Porto) tem mais rodagem e pode ser opção no imediato, mas Diogo Dalot (27 anos) é aposta certa e com uma polivalência que agrada a muitos.À esquerda, Nuno Mendes, salvo algum problema físico grave, é opção indiscutível. Nuno Tavares (lateral esquerdo de raiz, com três internacionalizações) é alternativa viável e mais rápida. Geovanny Quenda é outro talento a ser explorado, visto ter sido lançado como lateral esquerdo e ter sido nessa posição que se destacou no Sporting..MEIO CAMPO - Rodrigo Mora, o jogador “especial” e “diferenciado” que já podia ter ido ao MundialQuando Roberto Martínez chamou Rodrigo Mora à seleção nacional pela primeira vez, em maio de 2025, mostrou-se rendido ao talento do jovem do FC Porto, “um jogador especial”, que “vai marcar uma era no futebol português”. Mas o portista, hoje com 19 anos, ainda espera pela estreia com as cores nacionais.Apesar de ter integrado o grupo que conquistou a Liga das Nações em 2025, Mora não foi utilizado. Em março, Mora voltou a ser chamado, dessa vez para os jogos particulares contra o México e os Estados Unidos, de preparação para o Mundial 2026, mas acabou por ser dispensado devido a uma lesão e, assim, se perdeu de vez a possibilidade de ir ao Campeonato do Mundo. No entanto, é por todos reconhecida, até pelo trajetos nas seleções jovens, capacidade de sobra para se tornar peça importante na Equipa A. Mora é um médio ofensivo que se destaca pela inteligência tática e visão de jogo. Um criador que também pode jogar a avançado interior (o dito falso 9), com capacidade de drible e finalização, que se assemelha ao papel que Bernardo Silva tem desempenhado na última década na seleção nacional, o de construção.Ao contrário do que aconteceu com Rodrigo Mora e Geovanny Quenda, que depois de aparecer no Sporting com 17 anos foi convocado por duas vezes, mas não chegou a jogar, Mateus Fernandes já se estreou da seleção. Foi no dia 1 de abril, no particular com os EUA, tendo entrado aos 85 minutos para o lugar de Bruno Fernandes. O médio de 21 anos assinou pelo Tottenham e o seu novo treinador, De Zerbi, definiu-o assim: “É um jogador com uma capacidade técnica excecional, inteligência e maturidade.” Custou 99,3 milhões de euros e entrou para o top-3 das maiores transferências de sempre envolvendo jogadores portugueses, depois de João Félix e Cristiano Ronaldo, o que é revelador do potencial do algarvio que tem Bruno Fernandes como referência.Com João Neves (21 anos) e Vitinha (26 anos) no auge das carreiras, o meio-campo português andará muito à volta deles, mas João Simões, 19 anos, do Sporting é outro dos promissores médios do futebol português a ter em conta. Desde que se estreou na equipa principal, a 22 de novembro de 2024, o jovem sub-21 tem tido vários problemas físicos (falhou o final da última época devido a fratura no pé e só regressa em setembro). O talento mostrado, porém, é indesmentível e será sempre uma opção a ter em conta, como o mais experiente Daniel Bragança (27 anos), que nunca foi chamado à seleção..ATAQUE - Gonçalo Ramos é o avançado consensual pelo desempenho, mas precisa de concorrênciaGonçalo Ramos é um ponta-de-lança moderno, de grande polivalência, que se tem destacado por marcar golos importantes apesar de não ser um titular indiscutível. Nas três últimas temporadas no Paris SG marcou 45 golos e tem uma média de 0,66 por cada 90 minutos em campo, mas, olhando apenas para a seleção nacional, a média é de 1,93 golos, uma vez que marcou 11 golos em 1027 minutos.Somou apenas 35 minutos em cinco jogos no Campeonato do Mundo e marcou o golo, à Croácia (2-1), que apurou Portugal para os oitavos-de-final. Já tinha sido decisivo no Mundial 2022, onde o “pistoleiro algarvio” se tornou o mais jovem a marcar três golos na fase a eliminar, igualando Pelé, mas desde então viveu na sombra de Cristiano Ronaldo. O capitão português, aos 41 anos, assumiu que este foi o seu último Mundial, mas não o fim da carreira na equipa da quinas. Certo é que vão abrir-se mais oportunidades para Gonçalo Ramos neste novo ciclo. O avançado, que assinou pelo AC Milan, é também bem conhecido de Jesus, que o treinou no Benfica (entre julho de 2020 e dezembro de 2021), uma vantagem a ter em conta. Mas, analisando a convocatória da seleção portuguesa há três jogadores - Pedro Gonçalves, Ricardo Horta e Paulinho - que podem ajudar o ataque da seleção. Assim como o internacional André Silva, de volta ao Dragão na procura de voltar a ser o avançado que fez dupla com Ronaldo na Seleção.Olhando mais para a frente, para o Euro 2028 e em especial para o Mundial 2030, Quenda, Carlos Forbs e Anísio Cabral também são opções que Jesus terá de ter em conta. Carlos Forbs tem uma internacionalização A, em novembro de 2025. Na época 2025/26 fez 56 jogos, 10 golos e 11 assistências, a jogar como extremo no Club Brugge. Quenda sofreu uma lesão grave no decorrer da temporada passada e acabou por completar só 31 partidas (longe das 54 de 2024/25), tendo marcado dois golos e feito seis assistências alinhando como lateral esquerdo. Na próxima temporada jogará no Chelsea e logo se verá se vai ter rodagem para chegar à seleção nacional.Também Anísio Cabral quer lá chegar. Estreou-se pelo Benfica pela mão de José Mourinho e marcou dois golos. “O potencial está lá: a fisicalidade, o jogo de costas para a baliza, os movimentos em profundidade… é um abençoado, tem golo”, elogiou Mourinho que utilizou o jovem de 18 anos em seis jogos na temporada passada. Anísio terá ainda de fazer o caminho habitual pelos sub-21 portugueses, a exemplo de outros.isaura.almeida@dn.pt.O primeiro ainda é o melhor dos seis mundiais com o recordista Cristiano Ronaldo.Cristiano Ronaldo: "Futuro na seleção? Foi o meu último Mundial, terei agora tempo para pensar"