Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada escreveram mais um livro da coleção Portugueses no Oriente, da Fundação Jorge Álvares. Intitula-se Camões no Oriente e conta com ilustrações de Rui Sousa. É o quarto livro da série, depois de Encontros na Cidade Proibida, Navio Mistério - A Nau do Trato e Missão Impossível.“É uma ficção, como se fosse uma viagem no tempo, em que há um rapaz e duas raparigas que vão ser transportados pelo deus romano Mercúrio, que os leva por uma viagem no tempo até à Índia e à China. E aí conhecem o Camões em duas etapas da vida”, diz ao DN Ana Maria Magalhães, admiradora da obra do poeta. “E depois, na parte final, pomos a informação histórica. Estes livros são sempre assim, tem uma ficção sobre o tema e depois uma parte com informação histórica, neste caso, sobre a vida do Camões toda desde o princípio”, sublinha a escritora. .Maria Celeste Hagatong, presidente da Fundação Jorge Álvares, acrescenta que se “trata de uma ficção histórica destinada, essencialmente, a alunos do 3º ciclo do ensino básico, que se desenvolve a partir de uma empolgante aventura conduzindo os protagonistas a diferentes momentos da vida de Luís de Camões no Oriente, primeiro na Índia, em Goa, e depois em Macau. Ao longo do livro surgem excertos de Os Lusíadas e de outros poemas de Camões, integrados na narrativa.” A obra aborda ainda a figura de Dinamene, associada à permanência de Camões na China, apesar das interrogações históricas em torno da sua existência. Na história criada por Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada, Camões vive mesmo com Dinamene em Macau. “Um homem com aquela natureza apaixonada não ia ficar imenso tempo em Macau sem ter uma apaixonada. E há aquele belo poema da Dinamene, em que ele diz, ‘Dina, antes que diga mene, acordo e vejo que nem um breve engano posso ter’. Portanto, nós achamos que a Dinamene existiu mesmo e que morreu afogada quando vinha com ele da China. Isto é a nossa opinião e na ficção somos livres de fazermos o que quisermos”.Maria Celeste Hagatong revela que o livro Camões no Oriente já se encontra disponível em versão e-book na Biblioteca Digital da Fundação e, tal como sucede com os outros três livros que Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada escreveram para a coleção Portugueses no Oriente, pode ser descarregado gratuitamente. A par desta disponibilização em formato digital, Maria Celeste Hagatong revela que “a Fundação Jorge Álvares já distribuiu o livro Camões no Oriente por cerca de duas mil bibliotecas escolares de Portugal Continental e Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira, seguindo-se brevemente a distribuição pelas instituições de ensino de Macau e por 46 universidades e quatro escolas secundárias da China Continental, tal como sucedeu com as outras obras da coleção”. O livro é lançado é hoje, 21 de maio, no Centro Pastoral de Torres Vedras, com a presença das autoras. O evento é uma iniciativa conjunta da Fundação Jorge Álvares e da Caixa de Crédito Agrícola Mútuo de Torres Vedras.Para Ana Maria Magalhães, este novo livro pode ajudar os alunos a gostar mais da obra de Camões. “Conhecer a vida do escritor cria laços de afeto, de disponibilidade. Não é só aquele senhor que não tem um olho e que escreveu uma obra maravilhosa, mas que é difícil de ler porque a linguagem é de há 500 anos. Se a pessoa tem laços de afeto com uma pessoa, interessa-se mais pela obra dessa pessoa”. .Portal dedicado a Camões não terá muitos comparáveis no mundo e será "referência" para investigadores