Tudo sobre o Meo Kalorama que arranca esta sexta com Robbie Williams como cabeça de cartaz
Esta manhã prosseguiam ainda os trabalhos de preparação do recinto da 5ª edição do Festival Meo Kalorama que arranca esta sexta-feira, 28 de agosto, até domingo, 30 de agosto, no Parque da Bela Vista, em Lisboa, com Robbie Williams, Ms. Lauryn Hill e Deftones como cabeças de cartaz. "Temos muita coisa para terminar, está quase tudo pronto, falta o quase", diz Diogo Marques, o diretor do festival, no âmbito de uma visita ao recinto esta quinta-feira, 27 de agosto.
O Parque da Bela Vista tem capacidade para acolher 40 mil pessoas por dia, e ainda não há dias esgotados. "Estes últimos dias são de grandes vendas, como sempre acontece, portanto nós esperamos chegar perto destes valores, ainda não sei como é que estão as vendas desta semana, porque foi uma semana muito atribulada, mas acreditamos que vamos chegar perto destes valores", diz Diogo Marques ao DN.
Uma coisa é certa, considera o diretor do festival: "Este ano estamos com um cartaz incrível, para vários tipos de público. O primeiro dia é um dia mais pop, o segundo dia é um dia mais hip-hop, o último dia é mais rock, metal, um pouco mais pesado, e efetivamente o público aderiu em massa".
Este ano os estrangeiros representarão cerca de um terço dos festivaleiros (33% de acordo com os últimos dados). "Está mais ou menos estável. Nós andamos entre os 25% do ano passado e os 36% de há dois anos, portanto estamos sempre neste balanço", adianta Diogo Marques, revelando que são de 68 países. "Os países mais fortes são Espanha, Inglaterra, França, Itália e Alemanha, mas depois temos mercados, como os Estados Unidos, que estão a crescer muito, todos os anos duplicam o número de americanos que vêm ao festival. O Canadá também está a crescer muito".
Luiza Galindo, diretora de marca e comunicação da Meo, patrocinadora do evento, também esteve presente nesta visita ao recinto. "Acreditamos que é mais do que um festival", afirmou na apresentação aos jornalistas.
Diogo Marques aponta para as colaborações artísticas nos dois palcos principais do evento, o Palco Meo e, pela primeira vez na história do festival, o Palco Sagres, a cerveja oficial desta edição. O objetivo foi transformar os palcos em "obras de arte", e para isso o festival recorreu à Cultural Affairs de Alexandre Farto (Vhils), nomeadamente à Eterno e à Underdogs, que escolheram os autores dos dois projetos.
No caso do Palco Meo, a escolha recaiu sobre Diogo Aguiar Studio, um atelier que trabalha na fronteira entre arte e arquitetura, e que criou um palco que se transforma ao longo do dia. Para isso, explica o arquiteto Daniel Mudrák, espalharam-se pela estrutura painéis em malha com transparência, criando um efeito tridimensional ao refletir durante o dia o sol, o céu e até o público. Mas o efeito mais "importante" será à noite, diz Mudrák, com cada artista a adaptar a estrutura à sua atuação. O palco não será um mero "cenário", mas parte integrante do espetáculo.
O projeto artístico do Palco Sagres ficou a cargo da ilustradora Leonor Violeta. "Peguei na imagem da Sagres, que é o escudo, e tentei desconstrui-lo", diz a artista, que acompanhou a visita. O vermelho e branco são as cores predominantes dos vários elementos que compõem este trabalho gráfico que também inclui flores. "Procurei trazer a alegria toda de um festival de verão", diz Leonor Violeta, cujos desenhos também estarão nos copos.
Filipa Magalhães, diretor de Marketing da Sagres, sublinha o apoio da empresa à associação Chelas é o Sítio e o espetáculo que será apresentado pelo coletivo no último dia do festival.
A visita prossegue até ao palco mais pequeno, o Panorama Lisboa, vocacionado para a música eletrónica. Diogo Moura, vereador da Câmara Municipal de Lisboa, toma a palavra. "Queremos que os espaços verdes sejam espaços que cada vez mais recebem cultura", sublinha o vereador, que considera que "os valores do Meo Kalorama casam com a política cultural da Câmara Municipal de Lisboa". Diogo Moura revela que 200 trabalhadores da autarquia estão a trabalhar no Meo Kalorama. "O retorno para a cidade não é só para a cultura, mas para a economia", sendo "importante do ponto de vista turístico", sublinha o autarca, apontando para os 33% de festivaleiros estrangeiros que vêm este ano ao Kalorama.
O apoio da Câmara Municipal de Lisboa ao festival vai prolongar-se até 2028, depois da assinatura de um novo protocolo. Esta colaboração permite, diz Diogo Moura, descentralizar a oferta cultural na cidade de Lisboa e reforçar a "inclusão" e a "coesão territorial", com o trabalho junto da comunidade de Chelas. O festival também emprega pessoas da comunidade local, sublinha o vereador, e tem permitido dar visibilidade a artistas locais, exemplificando com Sam the Kid, que ganhou dimensão internacional.
A visita ao recinto prossegue para o que Dora Palma, diretora de Sustentabilidade do Meo Kalorama, chama de "cantinho bom" do festival. Fala diante da "sala de pausa", um pré-fabricado preparado para acolher os festivaleiros neurodivergentes que procurem algum refúgio. Haverá também coletes vibratórios para cegos e a campanha de "comunicação aumentativa" Não é Não, em parceria com a Adpat 4 You e com o apoio da Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género. O objetivo é um "compromisso claro de tolerância zero ao assédio e à violência", uma mensagem que será comunicada de forma contínua e visível em todo o recinto, através de ecrãs e cartazes nas instalações sanitárias e principais zonas de circulação. Serão também disponibilizados QR codes com acesso ao protocolo de atuação, contactos úteis e mecanismos de denúncia de situações de abuso.
A visita termina num espaço que é uma novidade nesta quinta edição do Meo Kalorama, o Food Experience, com curadoria do Guia Repsol. Neste espaço três chefs foram convidados a cozinhar para os milhares de festivaleiros que terão à disposição mesas corridas e bancos numa zona do recinto com vista privilegiada para o palco principal. Marlene Vieira, Henrique Sá Pessoa e José Neves prepararam um conjunto de iguarias que vão desde a francesinha de comer à mão de Marlene Vieira, aos secretos de porco preto com molho especial de Sá Pessoa, às asinhas com molho teriaky com salada de batata japonesa de José Neves.
O recinto abre portas às 16h30 na sexta-feira, 28, e às 14h30 no sábado e domingo, e Diogo Martins lembra que a melhor maneira de chegar ao Parque da Bela Vista é de transportes públicos. O metro vai prolongar o horário de funcionamento das linhas vermelha e verde nas noites de 28, 29 e 30 de agosto. No dia 28 de agosto, as estações Aeroporto, Oriente, Olivais, Bela Vista, Alameda e São Sebastião, na Linha Vermelha, e Alameda, Areeiro, Campo Grande e Telheiras, na Linha Verde, estarão abertas até às 4h00, e nos dias 29 e 30 de agosto até às 3h00.
"O que queremos é que as pessoas venham, que estejam cá muito tempo, e que usufruam do parque desde a sua abertura até ao fecho. E que os artistas emergentes, que ainda não são conhecidos, passem a fazer parte da playlist das pessoas, e os que são emergentes mas já são muito conhecidos, já estão nos tops, nas rádios, que venham apresentar ao vivo pela primeira vez, como já aconteceu com dezenas de artistas ao longo dos cinco anos, que vêm aqui e depois rebentam a nível mundial", resume o diretor do festival.
