Trump acusa Spike Lee de "ataque racista ao seu presidente"

O realizador agradeceu ontem o seu primeiro Óscar com um discurso de cunho político onde referiu que "a eleição presidencial de 2020 está aí à porta" e exortando todos a colocarem-se "do lado certo da história". O presidente respondeu-lhe hoje no Twitter

Quando subiu ao palco para receber o seu primeiro Óscar, que ontem ganhou por Melhor Argumento Adaptado em BlacKkKlansman, Spike Lee começou por se lançar para os braços de Samuel L. Jackson, radiante. Depois, aproximando-se do microfone, segurou algumas folhas de papel e começou o seu discurso referindo a "ironia" que era ele estar ali, naquele dia, "quatrocentos anos" depois de os seus antepassados terem sido "roubados da Mãe África e trazidos para Jamestown, Virgínia, escravizados".

Sem nunca referir diretamente Donald Trump ou a sua administração, o realizador falou das eleições presidenciais do próximo ano e exortou todos a colocarem-se "do lado certo da história": "Teremos o amor e a sabedoria de volta, voltaremos a ganhar a nossa humanidade. Vai ser um momento poderoso. A eleição presidencial de 2020 está aí à porta. Vamos todos mobilizar-nos. Vamos todos estar do lado certo da história. Façamos a escolha moral entre o amor e o ódio. Vamos fazer o que está certo!"

O presidente dos Estados Unidos ter-se-á sentido diretamente atingido pelo discurso de Spike Lee, a quem hoje respondeu num tweet, criticando-o por fazer um "ataque racista ao seu presidente, que fez mais pelos afro-americanos (reforma da justiça criminal, os mais baixos números de desemprego na história, corte de impostos, etc.) do que quase qualquer outro presidente!"

Num encontro com a imprensa que se seguiu à cerimónia dos Óscares, Spike Lee afirmou que, "se não fosse" por April Reign e o movimento que iniciou há quatro anos, #OscarsSoWhite, ele não teria recebido aquele seu primeiro Óscar, depois de já ter sido nomeado em 1990 e em 1998 com Do the Right Thing e 4 Litte Girls, respetivamente. "Abriram a Academia para a tornar mais parecida com a América, mais diversa", disse o cineasta, mencionando que pelo menos três mulheres afro-americanas levaram Óscares para casa na 91.ª edição dos prémios.

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