Trompetista Roy Hargrove morre aos 49 anos

Um dos mais importantes e versáteis trompetistas da sua geração, vencedor de dois Grammy, norte-americano sucumbiu a um ataque cardíaco.

Roy Hargrove, versátil músico de jazz que se aventurou pelos territórios quer do bebop e do jazz latino como do R&B e do hip-hop, tendo recebido dois prémios Grammy, morreu aos 49 anos de paragem cardíaca, na sexta-feira. O seu agente, Larry Clothier. disse ainda que o músico tinha sido internado dias antes num hospital de Nova Iorque devido a uma crise renal.

O músico nascido em Waco, Texas, cresceu em Dallas, onde frequentou a Escola Secundária de Artes Visuais Booker T. Washington, estabelecimento por onde também passaram artistas como Erykah Badu, Norah Jones ou Edie Brickell.

Descoberto em 1987 por Wynton Marsalis naquela escola, mais tarde estudou música em Boston e Nova Iorque. Além de Marsalis, na sua carreira colaborou com outras figuras de primeira linha, como Shirley Horn, Sonny Rollins, Roy Haynes, Macy Gray ou Steve Coleman.

Solista de qualidades reconhecidas quer pela crítica, quer pelos pares, fez parte do movimento da viragem do século conhecido como neo-soul. No ano 2000, contribuiu para os álbuns Voodoo, de D'Angelo, Mama's Gun, de Erykah Badu, e Like Water for Chocolate, de Common.

Formou o seu grupo, The RH Factor, para o cruzamento entre o jazz contemporâneo, o hip-hop e o R&B.

Como líder de formação, foi galardoado com o Grammy pelo melhor álbum de jazz latino (Habana), em 1998, e melhor álbum de jazz instrumental (Directions in Music: Live at Massey Hall, uma colaboração com Herbie Hancock e Michael Brecker), em 2002.

Entre as muitas reações pela morte prematura de Hargrove, a cantora Anita Baker homenageou Hargove no Twitter, quer em fotos, quer ao escrever que foi o trompetista o responsável pelo seu regresso à cena musical. "Tonal, melódico, do bebop ao hip-hop. Com alma, brilhante, um jovem mestre..."