Edição de 'Os Lusíadas' em arménio
Edição de 'Os Lusíadas' em arménio

Tradução arménia de 'Os Lusíadas' apresentada na Gulbenkian

Projeto nasceu da ideia de Vahé Mkhitarian, presidente da Associação de Amizade Portugal-Arménia, e foi concretizado por Lusiné Brutyan. Livro será lançado em Lisboa, quarta-feira, dia 25, às 18.30.
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A tradução de Os Lusíadas para arménio vai ser apresentada na quarta-feira, dia 25, às 18.30, na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa. A autora da tradução da epopeia de Luís Vaz de Camões é Lusiné Brutyan, arménia que vive em Portugal e que já antes traduziu A Mensagem, de Fernando Pessoa. Em ambos os casos, a iniciativa de transpor estes clássicos da literatura portuguesa para o arménio foi da Associação de Amizade Portugal-Arménia.

A tradução da obra maior de Camões foi concluída em setembro do ano passado, como o DN noticiou na altura, mas esta apresentação em Lisboa é o primeiro ato público em Portugal, e o próprio local onde vai acontecer tem um grande simbolismo, como explica Vahé Mkhitarian, presidente da Associação de Amizade Portugal-Arménia: “A escolha da Fundação Calouste Gulbenkian para o lançamento da tradução de Os Lusíadas em arménio não foi apenas um gesto logístico, mas um ato profundamente simbólico que reforça o papel cultural da Fundação como ponte entre Portugal e outras culturas”. E sublinha: “além disso, a própria história da Fundação é um elemento que torna o seu envolvimento particularmente significativo. Criada graças ao legado de um benfeitor de origem arménia, Calouste Gulbenkian, cuja vida e obra cruzam Portugal e a diáspora arménia, a Fundação simboliza, por excelência, a união de dois mundos”.

O projeto de tradução de Os Lusíadas vem do momento da fundação da Associação de Amizade Portugal-Arménia, em 2016. Depois, as circunstâncias propiciaram-se, segundo explicou ao DN o próprio Mkhitarian quando partilhou a notícia da edição: “Durante uma viagem à Arménia, tive a oportunidade de conhecer Lusiné Brutyan, tradutora franco-arménia, formada na Universidade de Línguas Estrangeiras de Erevan e também antiga aluna da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Foi ela quem, com grande entusiasmo e competência, se juntou ao projeto e tornou possível transformar essa ideia em realidade. A sua experiência e ligação direta às duas línguas e culturas permitiram garantir a qualidade e a fidelidade destas traduções".

Vahé Mkhitarian, presidente da Associação de Amizade Portugal-Arménia, e  Lusiné Brutyan, tradutora de 'Os Lusíadas' para arménio
Vahé Mkhitarian, presidente da Associação de Amizade Portugal-Arménia, e Lusiné Brutyan, tradutora de 'Os Lusíadas' para arménio

Instada a comentar o desafio que foi a tradução, no mesmo artigo em setembro, Brutyan contou que “como leitora e tradutora, vivi uma variedade de emoções e reflexões profundas ao trabalhar com essa obra monumental de Camões. Eu tinha a responsabilidade de traduzir um texto que é verdadeiramente querido ao coração de qualquer português, o que me trouxe uma enorme carga de responsabilidade. Ao começar a ler e traduzir, experimentei um espanto genuíno e uma admiração profunda pela beleza, pelas metáforas e pela riqueza das ideias expressas ao longo de cada estrofe. Logo, senti um envolvimento quase total; quase me sentia como uma tripulante prestes a descobrir o indiscutível, navegando por mares de criatividade e história. Foi uma viagem fascinante, repleta de desafios e surpresas a cada novo verso. Senti um orgulho imenso por fazer parte dessa obra magnífica, reconhecendo que completar a tradução de um texto tão significativo é, sem dúvida, uma conquista digna de verdadeiro orgulho. A alegria intensa de conseguir concluir a tarefa e o prazer indescritível de ver uma obra traduzida de maneira eficaz e ressonante foram momentos verdadeiramente eufóricos, que ficarão gravados na minha memória para sempre. Essa experiência só reforçou a importância da tradução como uma ponte cultural.”

Agora, em vésperas do lançamento em Lisboa,  Brutyan, que já vive há nove anos em Portugal, faz questão de agradecer às entidades envolvidas: “O apoio de nossos patrocinadores Fundação Calouste Gulbenkian, DGLAB- Direção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas e Instituto Camões I.P., garantiu que a adaptação da oitava rima camoniana para o alfabeto arménio de Mesrop Mashtots fosse feita com o mais alto critério académico e oferece ao leitor arménio uma oportunidade de aceder ao génio de Camões. Graças a esse patrocínio, a obra torna-se um embaixador permanente da amizade entre os nossos povos”.

O livro, publicado pela editora Edit Print, da Arménia, conta com prefácio de João Figueiredo, professor na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e grande conhecedor da obra de Camões. O poema épico, que conta a viagem de Vasco da Gama à Índia, e também a História de Portugal, foi publicado pela primeira vez em 1572. Tem traduções para as principais línguas mundiais, e as mais recentes, antes desta para arménio, tinham sido para turco e para árabe.

Hoje um pequeno país no Cáucaso, com três milhões de habitantes, e com uma numerosa diáspora muito ligada à nação, a antiguidade da Arménia é tal que chegou a ter relações próximas com o Império Romano. Foi também o primeiro país a adotar o cristianismo como religião oficial, no século IV.  O arménio é uma língua indo-europeia, que tem um alfabeto próprio, que remonta ao início do século V, época em que viveu Mesrop Mashtots.

Edição de 'Os Lusíadas' em arménio
'Os Lusíadas' já têm edição em arménio
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"Os Lusíadas" de Luís de Camões será traduzido para arménio

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