O cineasta sul-coreano Park Chan-wook (nascido em Seul, em 1963) não é um especialista em subtilezas. Filmes como A Criada (2016) ou Decisão de Partir (2022) são sagas humanas com sugestivos elementos dramáticos cujas potencialidades vão sendo esbanjadas por muitos “sublinhados” redundantes. O seu título mais recente, Sem Alternativa, agora lançado entre nós, não escapa a essa confusão entre o gosto do espetáculo e uma retórica formalista pouco estimulante - em finais de 2025, surgiu na chamada short list de candidatos a uma nomeação para o Óscar de Melhor Filme Internacional, mas acabou por não integrar a lista dos cinco eleitos.Adaptando o romance The Ax, do americano Donald E. Westlake (Mysterious Press, Nova Iorque, 1997), Sem Alternativa (título internacional: No Other Choice) apresenta um ponto de partida com tanto de ambíguo como de chocante. No seu esquematismo, o comportamento do protagonista distingue-se por uma gélida eloquência. Estamos perante os dias difíceis de Yoo Man-su (Lee Byung-hun), especialista da indústria do papel com uma posição importante, muito bem paga, numa grande empresa; o certo é que, na sequência da aquisição da empresa por um consórcio dos EUA, acaba no desemprego. Ao começar a procurar trabalho no mesmo ramo, descobre que há vários rivais para o mesmo tipo de emprego - para evitar a concorrência, decide começar a matá-los...Policial? Comédia negra? Crónica social sobre a perversidade do capitalismo internacional? Um pouco de tudo isso, é verdade, mas sem que Park Chan-wook pareça ter qualquer ideia consistente para “remendar” as atribulações que nos quer contar. E tanto mais (ou tanto menos...) quanto o seu interesse pela complexidade da personagem central se afigura francamente menor do que o empenho em reduzir muitas situações a exibições “formalistas”, em particular quando a violência explode de modo muito explícito.É pena que o mercado não tenha os recursos (ou a agilidade) suficientes para dar a ver em paralelo o filme Le Couperet (2005), produção francesa dirigida por Costa-Gavras, tendo como base o mesmo romance de Westlake. Lançado entre nós como Golpe a Golpe, trata-se, de facto, de uma hábil parábola sobre os caminhos do Mal que se distingue por uma diferença fundamental: enquanto Lee Byung-hun é levado a representar todos os seus problemas em tom mais ou menos caricatural, José Garcia, o ator de Costa-Gavras, apresenta-se como um enigma andante capaz de desafiar a própria moral do espetador - o que, bem entendido, gera emoções que garantem a eficácia do espetáculo. .'Monte dos Vendavais'. Nasceu um novo romantismo.'A Voz de Hind Rajab'. O cinema à escuta de uma voz