Ricardo Araújo Pereira rejeita boicote a Seinfeld
O humorista Ricardo Araújo Pereira quebrou o silêncio, este sábado, 12 de setembro, em declarações à SIC Notícias, sobre a polémica em torno do Commedia a La Carte Fest, assumindo que não teria cancelado a sua participação no festival por causa da presença de Jerry Seinfeld. O cabeça de cartaz norte-americano tem enfrentado fortes contestação e uma vaga de desistências por parte de vários artistas nacionais devido ao seu apoio público a Israel.
Questionado sobre se teria adotado uma postura de boicote, o comediante foi perentório ao afastar a premissa de que partilhar um alinhamento artístico signifique validação ideológica. "Eu fui convidado para o Commedia a La Carte Fest, o César [Mourão, criador do espetáculo] teve a simpatia de me convidar. Não aceitei porque não podia. Eu não faria isso [não ir ou cancelar devido à presença de Seinfeld no cartaz] porque não considero... essa é uma questão que está à parte das considerações que o Seinfeld faz sobre Israel, algumas das quais são verdadeiramente obscenas", afirmou.
Para o autor e apresentador, a associação direta entre atuar num evento de entretenimento e a cumplicidade política não resiste a uma análise lógica. "No decurso de um massacre, fazer-se fotografar a rir, manuseando armas com as Forças Armadas israelitas é uma coisa que roça o obsceno, mas é discutível a ideia de que, eu, participar no mesmo cartaz, do mesmo festival, significa que estamos a subscrever as opiniões dos outros participantes", comentou Ricardo Araújo Pereira.
"Se isso se verificasse (...), quem acredita é forçado a reconhecer que isso é recíproco. Se quem participa subscreve as opiniões do Seinfeld, então o Seinfeld, participando, subscreve as opiniões dos outros participantes", acrescentou.
Ressalvando que as posições do comediante norte-americano "são conhecidas planetariamente", Araújo Pereira argumentou que a permanência em cartaz não traduz concordância com os seus atos.
Na SIC Notícias, Ricardo Araújo Pereira concluía: "Não acredito que isso seja assim, que quem participa está a subscrever as opiniões de outros (...). Eles aceitaram, se participar naquela cartaz é concordar com um massacre, eles concordaram durante quatro meses. As opiniões do Seinfeld não são propriamente obscuras (...), as opiniões dele são conhecidas planetariamente."
A tomada de posição do humorista surge numa fase em que o certame, agendado para decorrer em Lisboa entre 29 de outubro e 1 de novembro, regista diversas baixas. Nomes como Inês Aires Pereira, Pedro Tochas, Cebola Mol, Carolina Deslandes, Bárbara Tinoco e Tatanka decidiram retirar-se do evento.
Em sentido inverso, figuras como Ana Garcia Martins e David Cristina optaram por manter a respetiva presença, defendendo que os bilhetes adquiridos se destinam a um espetáculo de comédia e não a uma conferência de geopolítica.
A controvérsia gerou também ecos internacionais, com o ator espanhol Javier Bardem a manifestar publicamente solidariedade para com os artistas portugueses a dar eco à polémica nas redes sociais, partilhando nas suas stories notícias sobre a vaga de cancelamentos.
