Quadro de Picasso roubado há seis anos aparece na Roménia

Pintado em 1971, o quadro "A Cabeça de Arlequim", avaliado em 800 mil euros, foi entregue na embaixada da Holanda, em Bucareste, por dois cidadãos holandeses. Quadro está a ser autenticado e o caso a ser investigado

O quadro de Pablo Picasso "Cabeça de Arlequim", roubado em 2012 do museu Kunsthal de Roterdão, na Holanda, foi encontrado na Roménia, anunciaram as autoridades do país. Assim como desapareceu, uma noite, sem deixar rasto, a tela regressa agora à luz do dia, também sem aviso prévio.

O quadro, que Picasso pintou em 1971, está neste momento em processo de autenticação, e a sua reaparição seis anos depois do roubo do museu holandês está a ser investigada.

De acordo com as autoridades romenas, dois cidadãos holandeses apresentaram-se de surpresa neste sábado na embaixada da Holanda, em Bucareste, levando consigo o quadro de Picasso que, segundo explicaram, encontraram na região de Tulcea, no sudeste da Roménia.

O roubo aconteceu a 16 de outubro de 2012. Os ladrões entraram furtivamente durante a noite no museu de Roterdão, usando uma saída de emergência nas traseiras do edifício, e em menos de dois minutos retiraram da parede sete das pinturas expostas, incluindo este quadro de Picasso, escapulindo-se depois com elas. O furto ficou registado nas câmaras de vigilância.

A obra "Cabeça de Arlequim", avaliada em 800 mil euros, foi um dos sete quadros valiosos roubados nessa noite do museu. Os outros eram "A ponte de Waterloo" e "A ponte de Charing Cross", que Claude Monet pintou em 1901; "Leitora em Branco e Amarelo", de Henri Matisse, de 1919; "Mulher diante de uma janela aberta", de Paul Gauguin (1888); "Mulher com os olhos fechados", de Lucien Freud (2002), e "Autoretrato", de Meyer de Haan (1889-1891).

Em 2013, os autores do furto foram capturados e condenados na Roménia, mas os quadros nunca apareceram. As autoridades estavam, aliás, convencidas de que as obras, ou pelo menos parte delas, teriam sido queimadas, numa tentativa de destruição das provas do crime.

Olga Dogaru, mãe de um dos acusados do furto, Radu Dogaru, chegou a declarar em 2013 que tinha queimado um conjunto de telas na sua lareira, com esse objetivo.

A mulher disse na altura à polícia que teve medo de que o filho viesse a ser incriminado por causa dos quadros, pelo que, depois de as ter enterrado no jardim de uma casa abandonada e depois num cemitério, decidiu queimá-las na lareira de se sua casa, na aldeia Caracliu.

A ser autêntico, o quadro "A Cabeça deArlequim", pelo menos, escapou à fogueira da extremosa mãe.

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