Poeta Luís Quintais é o vencedor do Prémio literário das correntes d'Escritas

A poesia era o género a concurso na 20 edição das Correntes d'Escritas e A Noite Imóvel de Luís Quintais foi a obra escolhida pelo júri numa decisão difícil

Após os anúncios dos vários prémios a que muitos alunos das escolas da região e jovens escritores foi a vez de revelar a decisão do júri para o prémio Casino da Póvoa: o livro A Noite Imóvel de Luís Quintais. O anúncio foi feito por Ana Paula Tavares, presidente do júri.

A escolha do premiado foi difícil, tendo o júri de cinco elementos decidido com três votos a favor a escolha, não tendo existido unanimidade nem possibilidade de equacionar qualquer um dos outros livros a concurso, entre os quais os de José Tolentino Mendonça, Gastão Cruz, Adília lopes ou Daniel Jonas.

O presidente Marcelo Rebelo de Sousa, após ter recebido uma edição fac-símile de O Poveiro, de António Santos Graça, considerada a 'Bíblia' das gentes da Póvoa de Varzim, destacou que estar no Correntes d'Escritas era o melhor que lhe acontecia neste dia. Revelou que já lera o livro que o seu homólogo irá lançar da parte da tarde e citou três partes dele antes de falar sobre literatura e a 20 edição do evento.

Para Rebelo de Sousa, que esteve três vez na Póvoa, foi impossível fugir ao tema da literatura e ao seu prazer da leitura que estes encontros oferecem, destacando o conjunto de escritores que vêm de 'outros mundos que falam castelhano, bem como um convite a um combate 'mais do que nunca necessário' por todos os que fazem o livro.

O presidente cabo verdiano, Jorge Carlos Fonseca, recordou a sua visita a Portugal há 54 anos, quando tinha 14 anos: 'Lembro do mar bravio, do clube do futebol com um treinador muito bom e um guarda redes angolano. Bem diferente da cidade que agora acolhe o Correntes d'Escritas'.

Por seu lado, a ministra da Cultura, Graça Fonseca, valorizou a expressão ibérica que as Correntes 'têm permitido e celebrar a palavra contra o analfabetismo agressivo' e a imposição do género no panorama literário e social.

Este ano a revista que é sempre publicada em cada edição das Correntes d'Escritas é dedicada à escritora brasileira Nélida Pinon, que disse estar na capa 'mas todos os autores presentes o mereciam'. A autora recordou ter estado na edição no ano 2007 e agradeceu a escolha, pois tem 'servido a língua portuguesa com paixão.

O autarca Aires Pereira não deixou também de valorizar a língua portuguesa, avançando que o Brexit é uma oportunidade para a comunidade que a fala.

Ao início da tarde, começa um programa exaustivo de debates nesta 20 edição do Encontro literário com a sessão inaugural em que o presidente de Cabo Verde, Jorge Carlos Fonseca, trata do tema As Letras da Língua e a Mobilidade dos Criadores da CPLP.

Durante o encontro serão lançados e apresentados mais de trinta livros.

A popularidade do Presidente Marcelo

Desta vez o presidente Marcelo Rebelo de Sousa não tinha protestos a sua espera junto ao auditório, antes uma banda que lhe deu as boas vindas. Aos jornalistas presentes ofereceu várias opiniões sobre a situação nacional mas era a queda anunciada da sua popularidade que mais interessava. Foi sucinto, apesar de, ao contrário da banda, ter alguma dificuldade para encontrar o tom. Depois de alguma hesitação lá veio a resposta: 'Popularidade. Diria que... o que eu que hei de dizer... Estou muito grato aos portugueses mesmo que me deem 68% nas sondagens e antes 72%, mas para quem foi eleito com 52 % e com todo o desgaste do cargo, acho que não há razão para considerar falta de generosidade.' A chegada do Presidente de Cabo Verde deu fim à situação e foi a vez dos populares, com beijinhos e abraços habituais, desanuviaram o ambiente.

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