Exclusivo Philippe Mendes: "É fundamental alterar a legislação portuguesa para apoiar a cultura"

O historiador de arte e marchand reconhecido no mercado francês, tem criado pontes entre a arte portuguesa e alguns dos melhores museus do mundo. De Paris, onde nasceu, em conversa com o DN, lança críticas à legislação que rege o mecenato em Portugal.

Philippe Mendes, doutorado em História da Arte pela prestigiada École du Louvre, especialista em pintura italiana do século XVII, curador, consultor, professor e marchand, é um nome respeitado e algo "temido" no mundo das artes francesas. Nasceu em Paris na década de 1980, esteve para ser advogado e foi exatamente no círculo de amizades feitas no primeiro ano da Universidade de Direito que surgiram as primeiras conversas sobre arte, que começou pelo mobiliário e não pela pintura: "Falavam de móveis Luís XV ou XVI, não conhecia nada. Então passei a ler o que podia sobre arte e aí despertei o interesse pela pintura".

Frequentava o segundo ano de Direito, quando um dos amigos lhe disse que ia inscrever-se na École du Louvre. Philippe nem hesitou e seguiu-lhe os passos. Inscreveu-se para o exame, que acabou por passar sem grande preparação e ainda com uma viagem a Portugal pelo meio, recorda. Depois ficou dividido, ou não, entre o Direito e a História de Arte. "Já era muito claro para mim qual seria o meu caminho, mas gosto de concluir o que começo e o curso de Direito revelou-se importante porque me obrigou a ter um pensamento mais organizado e estruturado o que é muito útil". Com Direito já arrumado e o curso de História da Arte terminado, seguiu-se o estágio de nove meses na pinacoteca dos museus do Vaticano e, mais tarde, o regresso ao Louvre. "Uma das professoras queria-me a trabalhar no departamento de escultura, mas estava focado na pintura, era e é a minha especialidade". Valeu-lhe a tal professora ter autorizado a sua passagem, juntamente com o ordenado, para o departamento de pintura onde ficou como colaborador científico na especialidade de pintura italiana do século XVII.

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