Exclusivo Paul McCartney tem a música no coração

O ex-Beatle e o produtor musical Rick Rubin dissecam músicas do quarteto fantástico de Liverpool num documentário minimalista, dividido em seis partes, que percorre memórias através do ADN de grandes êxitos, e não só. McCartney 3,2,1 estreia hoje no Disney+.

Há qualquer coisa de fascinante em ver Paul McCartney, 79 anos, a abanar a cabeça e os ombros ao som de uma canção dos Beatles. Como se estivesse de fora do processo criativo, como se fosse um fã a sentir a frescura de cada nota. É o próprio que confirma essa transição para o outro lado, em McCartney 3,2,1: "Passei a ser um fã dos Beatles. Naquela altura, era apenas um Beatle. Mas agora que o volume de trabalho da banda está concluído, volto a ouvir os discos e espanto-me, do género: "que linha de baixo é esta?"" Os pequenos espantos, dele e do produtor barbudo Rick Rubin (descalço, assumindo a ausência de cerimónias), fazem esta série documental parecer uma ocasião de descoberta. E se é verdade que McCartney não vem propriamente debitar histórias inéditas, desde a formação dos Beatles até ao último álbum da banda, há uma inequívoca vitalidade que nasce do "jogo" escolhido para sustentar o encontro: pega-se numa canção aqui, outra ali, e decompõe-se os seus elementos sonoros, a(s) narrativa(s) por trás das notas e as influências escondidas nas costuras melódicas.

Ao longo de seis episódios, com cerca de meia hora cada, filmados a preto e branco por Zachary Heinzerling, dois vultos do meio musical conversam dentro de um estúdio espaçoso, seja com um piano ou uma guitarra por perto seja em frente a uma mesa de mistura. Os primeiros são instrumentos que permitem a McCartney ilustrar memórias através da sua sonoridade, como quando fala das músicas que o pai tocava ao piano, sublinhando o facto de ter crescido no seio de uma família feliz, ao contrário de John Lennon (a quem regressa diversas vezes). Já a mesa de mistura é a praia de Rubin, que, com os ouvidos treinados, a usa para isolar faixas, detalhes musicais de cada canção, e assim transportar McCartney por velhas estradas ou trazer ao de cima o tal espanto de quem ainda conserva uma relação mágica, um vínculo juvenil, com as singularidades criativas. A ideia é, no fundo, captar as reações e comentários mais ou menos espontâneos do ex-Beatle perante aquilo que ajudou a conceber (as referências aos Wings ou à carreira a solo são muito breves).

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