Exclusivo Outsiders. Filmes americanos fora do radar

Arranca hoje no cinema São Jorge, em Lisboa, um ciclo que dá a conhecer a face oculta da cinematografia dominante. Organizado pela FLAD, Outsiders - Cinema Independente Americano é uma janela para lá de Hollywood. Encerra no dia 8 de dezembro, com o filme de Chloe Zhao anterior a Nomadland.

Era John Cassavetes quem dizia que os filmes deviam abanar os espetadores e fazê-los sair das "verdades manufaturadas e rápidas" a que o mainstream os habituou. De certa maneira, continuamos a ser esses espetadores acomodados ao que chega semanalmente às salas comerciais, pejadas de produções americanas com verdades manufaturadas, ignorando o muito que se faz fora da órbita de Hollywood. Uma lacuna da distribuição (da qual nem sequer se tem consciência) que o ciclo Outsiders vem preencher. "A sensação que o público fora dos Estados Unidos tem é que vê tudo o que há para ver. O nosso mercado está tão dominado pelo cinema americano que passa a ideia de que o que não vemos é o cinema do resto do mundo. E isso não é de todo verdade", sublinha o programador do ciclo, Carlos Nogueira.

Em conversa com o DN, esclareceu que o que se vai ver por estes dias na sala lisboeta do São Jorge, apresentado pela Fundação Luso-Americana, não é sequer o tipo de produções indie que costumam fazer parte da paisagem, como os oscarizados Moonlight e Nomadland, com máquinas de distribuição por trás, ou os filmes de Tarantino ("um cineasta independente que trabalha com o Brad Pitt e com o Leonardo DiCaprio soa-nos um pouco estranho"). Apesar de a noção de cinema independente ser "vaga e imprecisa", é possível distinguir estes outsiders por um aspeto em particular: são filmes de baixíssimo orçamento, realizados ao longo da última década e meia. Veja-se o título de abertura, Tiny Furniture (hoje, 21h30), de Lena Dunham, que com 60 mil dólares fez um autorretrato de antecipação do quadro maior de Girls (HBO), a sua popular série centrada na desordem emocional da juventude nova-iorquina, ou Nights and Weekends (dia 6, 21h30), que custou 15 mil dólares. "São filmes feitos com a conta bancária dos realizadores, e com uma meia dúzia de amigos filmados em casa, sem grande aparato de iluminação, com uma câmara emprestada. Isto é cinema independente na mais verdadeira essência da expressão", nota o curador.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG