Delfim Sardo recorda trabalho desafiador e pioneiro de Helena Almeida

A artista plástica Helena Almeida, que morreu hoje aos 84 anos, é "um nome fundamental da arte do século XX", com um trabalho desafiador e pioneiro, afirmou hoje à agência Lusa o curador Delfim Sardo.

"É sempre um trabalho desafiador e que problematiza não só as questões do feminino, como as questões da identidade, da imagem fotográfica, da relação da pintura com a fotografia. Tem todas as características para ser um trabalho pioneiro no contexto da arte europeia", disse o ensaísta.

Delfim Sardo, que foi curador de uma exposição dedicada à artista em 2013, em Lisboa, sublinhou a importância que Helena Almeida deu à representação do corpo, sempre do corpo dela, "com uma poética pessoa fortíssima" e acompanhando a tendência artística desde a década de 1960.

"Em 1969, ela começou a fotografar-se a si própria, primeiro transmutada em tela e, a partir daí, voltando a fotografar-se e a utilizar a fotografia como a expressão visível de uma espécie de performance permanente que realizava perante a câmara", recordou.

Delfim Sardo lamentou que durante anos o trabalho de Helena Almeida não tenha tido "o reconhecimento mediático merecido", mas essa lacuna foi colmatada na última década e meia, com várias exposições de grande dimensão, nomeadamente a que o próprio organizou - "Andar, Abraçar" - no espaço BES Arte & Finança, assim como as retrospetivas de 2004 no Centro Cultural de Belém e de 2015 em Serralves (Porto).

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