Exclusivo "O livro em papel está condenado e morrerá no século XXI"     

Desta vez, Arturo Pérez-Reverte não vem a Portugal apresentar um dos seus maiores sucessos literários, o romance Sidi - El Cid, O Nascimento de Uma Lenda, devido à pandemia e ao facto de estar a lançar um novo livro, O Italiano. O mais inesperado neste "seu" retrato do herói espanhol El Cid é de o ter escrito à maneira dos velhos westerns de John Ford! Outra sugestão: História e Oficiais da História de António Borges Coelho

Pérez-Reverte sentiu uma atração por um dos heróis mais míticos da história de Espanha, El Cid, e decidiu ir contra o imaginário e refazer a figura à sua maneira. O mais estranho neste romance é saber-se que a narrativa que construiu deve em muito aos filmes de cowboys, conforme revela nesta entrevista, replicando os cenários do Oeste, a duplicidade dos valores morais e o atravessar das fronteiras dos antigos Estados Unidos, como se essa vivência pudesse ser também medieval e ibérica.

El Cid, ou Sidi, nomes dados a Rodrigo Díaz de Vivar, surge neste romance após ter sido desterrado pelo rei, movendo-se pela península com o seu exército e oferecendo os seus serviços a cristãos e muçulmanos. Esta dualidade pode parecer impossível na atualidade, mas Pérez-Reverte fez questão de utilizar um facto histórico e transformá-la numa mensagem contemporânea: "É deliberado da minha parte, mas é verdade que ele lutou com cristãos e com muçulmanos e essa é uma questão importante para se esbater a vontade de só existir preto e branco na História." Vai mais longe: "A estupidez do mundo atual obriga-nos a fazer escolhas entre esse branco e negro e não se aceita que existam virtudes nos adversários. Eu queria mostrar o ambíguo e a imprecisão dos contornos, que foi bem real em Cid e desejei sublinhá-la. Afinal, pretendo mostrar aos idiotas que o mundo não se duvide entre bons e maus."

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