Exclusivo O "jazz em agosto" dos documentários

Chegam nos próximos dias aos canais TVCine dois documentários à volta do jazz. Blue Note Records: Beyond the Notes e Ella Fitzgerald: Just One of Those Things mergulham nas histórias de duas lendas - a icónica editora discográfica e uma das maiores vozes americanas - para colher o retrato de uma identidade sonora.

Há uma pequena operação de jazz e blues a decorrer nos TVCine. Na última semana estreou-se Born in Chicago, sobre os primeiros músicos de blues e os seus seguidores nos anos 1960, e as próximas sextas-feiras abrilhantam-se com talentos do jazz - são bons programas para noites de verão, com garantia de qualidade musical. Desde logo, Blue Note Records: Beyond the Notes (dia 19, 22.00, TVCine Edition), um documentário, que passou no Doclisboa, não apenas centrado no percurso dessa ilustre etiqueta discográfica de jazz, mas também no diálogo geracional que nasceu do reconhecimento dos seus valores de origem, assentes na liberdade do artista e nas inovadoras expressões individuais. Não admira que por aqui se chegue aos caminhos do hip-hop, com a palavra "revolucionário" algumas vezes repetida.

Assinado por Sophie Huber, Beyond the Notes começa precisamente com o ambiente de estúdio de gravação e as palavras dos novos músicos influenciados pela Blue Note, mais tarde cruzando os seus discursos com os de figuras veteranas como Herbie Hancock, Wayne Shorter e Lou Donaldson, que gravaram para a editora no tempo dos seus fundadores. O passado e o presente unem-se assim à luz da consciência muito clara de que a Blue Note foi um projeto único numa altura em que a grande maioria das discográficas estava mais focada em objetivos mercantis do que na identidade artística (já iremos ao caso particular de Thelonious Monk). De resto, basta olhar para o seu catálogo e perceber que a reverência é mais do que justificada - a certa altura, o atual presidente da Blue Note, Don Was, diz que provavelmente um neurologista não seria capaz de apontar a diferença entre meditação e ouvir o clássico de Wayne Shorter Speak No Evil. Apenas um exemplo delicioso do poder da música por trás das emblemáticas capas de álbum desenhadas por Reid Miles.

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