O futuro de Londres está nestas fotografias de Steve McQueen

Artista britânico fotografou 76 mil crianças do terceiro ano de escolas londrinas. O resultado está numa exposição na Tate Britain e em cartazes espalhados pela cidade.

Tudo começou quando o artista e realizador Steve McQueen britânico encontrou uma fotografia da sua turma de terceiro ano, em 1977, e se pôs a pensar o que teria acontecido àqueles miúdos que foram seus colegas na escola. "Foi um tempo incrível. Os amigos que eu tinha, o potencial, as possibilidades", contou.

Steve McQueen, de 50 anos, teve então a ideia de convidar todos os alunos do terceiro ano de Londres a participarem no seu projeto e a deixarem-se fotografar por uma equipa da Tate Gallery. Inscreveram-se miúdos das mais diversas proveniências: de escolas públicas e de escolas religiosas, de ensino especial e de colégios, de escolas artísticas e até do ensino doméstico. O trabalho durou mais de um ano: era preciso ter as autorizações de todos os pais, algumas escolas queriam participar no projeto mas não tinham os meios para o fazer, a equipa da Tate teve mesmo que se envolver no processo para tornar o projeto possível.

O resultado já está nas ruas e no metro de Londres, em 33 cartazes espalhados pela cidade, e vai estar na exposição intitulado Year 3, na Tate Britain a partir de amanhã e até 3 de maio. A entrada é gratuita.

Todas as fotografias têm o mesmo formato, foram feitas nas escolas e com luz natural. No total, foram feitas mais de 3 mil fotografias com 76 mil crianças de sete e oito anos, de famílias ricas e pobres, de diferentes bairros e etnias, todas muito diferentes e ao mesmo tempo todas muito parecidas. "Nestas fotografias são todos iguais. Todos começam da mesma maneira. Como vão ser, no futuro, logo veremos." Mas o futuro está aqui, explicou ao The Guardian: "Haverá um criminoso, um banqueiro, um que não viverá até aos 21 anos. Estão todos aqui."

"Há uma urgência em refletir em quem somos e em qual será o nosso futuro", explicou McQueen, vencedor do Prémio Turner em 1999 e do Óscar de Melhor Realizador (por Doze Anos Escravo, de 2013), que vê esta exposição como uma "reflexão visual sobre as pessoas que fazem esta cidade funcionar".

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