Exclusivo 'O Dissidente': da luta pela liberdade de expressão à morte de Jamal Khashoggi

Um documentário para saber quem foi o jornalista saudita Jamal Khashoggi, assassinado em 2018 no consulado do seu país em Istambul. O Dissidente, de Bryan Fogel, mergulha nos detalhes da investigação do caso e na luta de outros ativistas árabes. Em estreia esta sexta-feira nos canais TVCine.

No início deste ano, numa entrevista à Variety, Bryan Fogel lamentava o silêncio universal à volta de um documentário como The Dissident. "Em qualquer circunstância normal, este filme seria adquirido e distribuído." Ainda mais se estivermos a falar do trabalho de um realizador que venceu um Óscar pelo seu documentário anterior, Icarus (2017), sobre o doping no desporto. Mas o preço a pagar por se meter com assuntos pesados é este: uma distribuição demasiado discreta para um filme que, através da tragédia do jornalista Jamal Khashoggi, denuncia o controlo da liberdade de expressão na Arábia Saudita. O medo de dar visibilidade a tal matéria tem só que ver com "interesses comerciais e políticos e, quem sabe, talvez com pressão do governo saudita", esclarece o realizador americano. Congratule-se então o canal por cabo que teve a coragem de lançar por cá O Dissidente (TVCine Edition, 22h00).

O caso no centro deste documentário foi amplamente noticiado. No dia 2 de outubro de 2018, Khashoggi entrou no consulado saudita em Istambul, para obter uma licença de casamento, e não voltou a sair. As autoridades sauditas fizeram de tudo para dissimular a verdade e atrasar o processo de investigação, mas acabaram por ter de admitir que o jornalista morreu no interior daquele recinto. Veio a saber-se depois que foi torturado, morto e desmembrado numa sinistra operação que envolveu 15 homens, tudo indica, às ordens do príncipe herdeiro saudita Mohammed bin Salman. Consequências? Até à data, apenas um ligeiro incómodo diplomático.

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