Exclusivo O cinema de Bong Joon-ho para além de Parasitas

Cinco filmes do oscarizado cineasta coreano estão, a partir desta quinta-feira, em exibição em Lisboa e Cascais. Entre obras-primas do policial e a versão a preto e branco de Parasitas, há um cinema para (re)descobrir.

Apesar do ano e meio pandémico que passou entretanto, a vitória em dose tripla de Bong Joon-ho nos Óscares continua bem presente. O realizador sul-coreano que, ao lado de nomes como Park Chan-wook, Lee Chang-dong e Hong Sang-soo, é um dos protagonistas do chamado Novo Cinema Coreano, tornou-se um must do panorama cinematográfico internacional, mas ainda há filmes seus que os espectadores entusiastas de Parasitas não tiveram oportunidade de descobrir no grande ecrã. Aproveitando a memória relativamente recente desse triunfo histórico nos prémios da Academia de Hollywood, que sucedeu à Palma de Ouro em Cannes, a retrospetiva de uma mão-cheia de títulos que agora chega a Lisboa (Nimas) e Cascais (Cinema da Villa) traz dois inéditos e uma experiência curiosa: assistir à colisão entre a família pobre e a família abastada de Parasitas... a preto e branco.

Mas comece-se pelo princípio. Cão que Ladra Não Morde (2000), primeira longa-metragem de Bong Joon-ho, é um dos inéditos que surge neste ciclo. Aqui, um professor académico com demasiado tempo livre, e incomodado pelo som de um cão a ladrar no seu prédio, vai ao encontro do animal, rapta-o e esconde-o na cave por baixo do seu apartamento, desencadeando um clima de comédia negra que envolve um conjunto de personagens, desde a mulher grávida do protagonista à jovem secretária enfastiada que trabalha no escritório desse complexo de apartamentos. Um filme pouco visto, modesto mas excêntrico, que claramente contém a linguagem idiossincrática de uma futura filmografia, desde logo porque espelha a sociedade contemporânea na sua dicotomia de classes, fazendo do prédio o microcosmo a partir do qual se retrata a espécie humana - sem dúvida, um prédio onde já morava o espírito de Parasitas, e cuja narrativa se reveste do toque essencial do cinema de género.

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