O movimento MeToo está a atingir em força o universo da música eletrónica. Nas últimas semanas, vários DJ’s foram retirados de cartazes de festivais internacionais após a publicação em redes sociais de alegações de violência sexual e comportamento impróprio.Entre os nomes apontados estão DJ’s como Shlømo, Basswell, Carv, Odymel e Fantasm, todos ligados à chamada hard techno, considerada uma versão de techno rápido e agressivo, revela a revista DJ Mag. Vários festivais anunciaram entretanto a sua retirada de alguns destes nomes dos respetivos cartazes. A organização do festival belga Dour, por exemplo, justificou a decisão como “medida de precaução” face a “acusações graves” que circulam nos últimos dias. E a agência francesa Steer Management, que representava alguns dos DJ’s visados, anunciou a suspensão das colaborações, afirmando que “a inação não é uma opção”.A 8 de fevereiro surgiu no Instagram o coletivo MeTooDJs, que se apresenta como um “dispositivo internacional de escuta e orientação para vítimas de violências sexistas e sexuais na música eletrónica”. O grupo, composto maioritariamente por mulheres profissionais do setor, afirma que o objetivo é quebrar a lei do silêncio no meio da noite, dos clubes e dos festivais. “Estamos convencidas de que a ação concreta é o que permite fazer evoluir”, escreveu o coletivo, acrescentando que já foi contactado por “quase cem vítimas de vários países”. Segundo o grupo, “vários processos jurídicos estão em curso com advogados e advogadas especializados” e algumas vítimas foram encaminhadas para apoio psicológico.Entre os DJ’s acusados, houve distintas reações. O francês Shlømo denunciou uma “campanha sustentada de difamação e assédio nas redes sociais”, garantindo: “Nunca tive uma relação não consentida. Nunca cometi abusos sexuais contra uma mulher.” O suíço Odymel confirmou que existe uma investigação preliminar em curso e disse estar a cooperar, relatando um episódio que descreve como “sexsomnia”, uma perturbação rara associada a comportamentos sexuais durante o sono. Já o alemão Carv admitiu ter enviado imagens íntimas, mas assegurou que “não houve qualquer comportamento não consentido nem ato criminoso”.. A polémica desencadeou um debate mais amplo sobre a cultura da noite. A DJ belga Amelie Lens escreveu nas redes sociais: “Estamos cansadas. A pista de dança é a nossa casa e os bastidores são o nosso local de trabalho, mas nenhum deles é seguro para nós.”.#MeToo. De Harvey Weinstein até Nuno Lopes, a história do movimento