Morreu o escritor brasileiro Rubem Fonseca. Tinha 94 anos

Escritor brasileiro sofreu um enfarte esta quarta-feira e morreu num hospital do Rio de Janeiro. Era um consagrado autor em língua portuguesa e foi Prémio Camões em 2003.

O escrito brasileiro Rubem Fonseca morreu aos 94 anos, num hospital do Rio de Janeiro. Era um dos nomes mais conceituados da literatura em língua portuguesa, autor de obras como "O Caso Morel" e "O Cobrador". Foi o vencedor do Prémio Pessoa em 2003.

De acordo com o jornal O Globo, Rubem Fonseca sofreu um enfarte esta quarta-feira, por volta da hora do almoço, no interior do seu apartamento, no Leblon. "Foi levado imediatamente ao hospital Samaritano, onde morreu", relata a publicação brasileira. O escritor iria fazer 95 anos em maio.

O escritor era apontado pela crítica como "o maior contista brasileiro da segunda metade do século XX", tendo publicado dezenas de contos. Foi o vencedor de cinco Prémios Jabuti e do Prémio Juan Rulfo, entre várias outras distinções.

Em 2012, Fonseca esteve em Portugal e recebeu o Prémio Correntes d'Escritas na Póvoa de Varzim.

"Carne crua", o seu mais recente livro de contos inéditos, foi editado em 2018.

A experiência na polícia

Rubem Fonseca era natural (11-05-1925) de Juiz de Fora, em MInas Gerais. Formado em Direito, entrou na polícia do Rio de Janeiro, onde foi comissário e se destacou na área da psicologia criminal, Na década de 1950 estudou em Nova Iorque e estilo americano era também uma característica. A experiência na polícia foi decisiva para a sua obra literária, em que refletiu muito do que viveu nessa profissão até se dedicar a tempo inteiro à literatura.

A personagem Mandrake, um advogado do Rio de Janeiro, mulherengo e imoral, entrou em muitos dos seus escritos e foi adaptada a série de televisão.

O submundo carioca foi retratado com frequência na sua obra literária, com marginais, prostitutas e polícias a serem personagens habituais.

"Feliz Ano Novo" (1975), "O cobrador" (1979), "A Grande Arte" (1983), "Bufo & Spallanzani" (1986) e "Agosto" (1990) figuram entre as suas obras mais admiradas.

Era viúvo e deixa três filhos.

"A biblioteca do meu pai era só de autores portugueses"

Em 2015, quando foi distinguido com o Prémio Machado de Assis, a Academia considerou "Rubem Fonseca um dos mais importantes ficcionistas contemporâneos brasileiros", que "exerceu profunda influência na cena literária brasileira, inaugurando a tendência que Alfredo Bosi chama de 'brutalista'".

"Consagrou-se pela sua narrativa nervosa e ágil, ao mesmo tempo clássica e moderna, entre o realismo e o policial, revelando a violência urbana brasileira, sem perder o olhar sensível para a tragédia humana a ela subjacente, a solidão das grandes cidades ou para os matizes do erotismo. Seu estilo contido, irónico e cortante, ao mesmo tempo denota um leitor dos clássicos e um ouvido atento ao falar das ruas em seu tempo", descreveu ainda a ABL.

Conhecido também pela sua reclusão, e consequente recusa a dar entrevistas, Rubem Fonseca viveu a maior parte da sua vida no Rio de Janeiro, tornando-se numa das figuras da cidade.

Em 2012, quando esteve em Lisboa para receber a Medalha de Mérito Municipal, afirmou que "mais importante que esta grande honraria é o estar em Portugal", terra de todos os seus antecessores.

Num curto discurso, nos Paços do Concelho de Lisboa, o autor de "O Cobrador" disse que, juntamente com o irmão, foram os primeiros brasileiros de uma família portuguesa onde, em casa, o quotidiano era marcadamente português.

"Em casa falávamos português, minha mãe só cozinhava comida portuguesa e a biblioteca do meu pai era só de autores portugueses", disse na ocasião.

À Lusa, o escritor, autor de "A Grande Arte" declarou emocionado: "Sempre que venho aqui [a Portugal] a minha alegria é redobrada e a felicidade que sinto é muito grande".

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