Morreu Rogério Samora, o ator que a televisão tornou familiar

Tinha 63 anos e encontrava-se em coma desde 20 de julho devido a uma paragem cardiorrespiratória.

O ator Rogério Samora morreu esta quarta-feira, aos 63 anos.

O artista encontrava-se em coma desde 20 de julho, quando sofreu uma paragem cardiorrespiratória durante as gravações da novela Amor Amor, na qual interpretava a figura de Cajó, contracenando com atores como Rita Blanco e Ricardo Pereira. Foi na altura transportado para o Hospital Amadora-Sintra, onde esteve internado na unidade de cuidados intensivos durante mais de dois meses.

A 28 de setembro, foi transferido para a unidade de cuidados continuados integrados da Associação de Socorros da Freguesia da Encarnação (ASFE Saúde), no município de Mafra.

Rogério Samora contava mais de 40 anos de carreira, com um percurso marcado pela participação em dezenas de telenovelas e outras produções televisivas, como "Nazaré" e "Mar Salgado", da SIC, "Flor do Mar" ou "Fascínios", da TVI, depois de se ter estreado em televisão, na RTP, em 1982, em "Vila Faia".

O percurso de Rogério Samora teve, porém, início no teatro, na antiga Casa da Comédia, e apresenta alguns dos seus mais importantes papéis no cinema, em filmes de Fernando Lopes e de Manoel de Oliveira.

Nascido em Lisboa, em 28 de outubro de 1958, fez o curso de Teatro do Conservatório Nacional, e estreou-se no final da década de 1970, na peça "A Paixão Segundo Pier Paolo Pasolini", de René Kalisky, levada a cena na Casa da Comédia, sob a direção de Filipe La Féria. O desempenho valeu-lhe o seu primeiro prémio, em 1981, o de Ator Revelação, da Associação Portuguesa de Críticos de Teatro.

Nos últimos anos, participou em várias telenovelas do canal televisivo SIC, como "Nazaré", "Golpe de Sorte", "Amor Maior", "Poderosas", "Mar Salgado" e "Sol de Inverno", depois de participações anteriores na estação TVI, em produções como "Destino Imortal", "Flor do Mar", "Equador", "Casos da Vida" ou "Fascínios".

A sua estreia em televisão, feita na RTP, remonta a 1982, à telenovela "Vila Faia", na qual contracenou com Rui de Carvalho, Glória de Matos, Mariana Rey Monteiro e Nicolau Breyner, seguindo-se, ainda na televisão pública, "A Banqueira do Povo" (1993), ao lado de Alexandra Lencastre, Eunice Muñoz, Raul Solnado, Diogo Infante e João Perry.

O percurso de Rogério Samora teve, porém, início no teatro, na antiga Casa da Comédia, e apresenta alguns dos seus mais importantes papéis nos palcos, assim como no cinema, em filmes de Fernando Lopes e de Manoel de Oliveira.

Nascido em Lisboa, em 28 de outubro de 1958, fez o curso de Teatro do Conservatório Nacional, e estreou-se no final da década de 1970, na peça "A Paixão Segundo Pier Paolo Pasolini", de René Kalisky, levada a cena na Casa da Comédia, em Lisboa, sob a direção de Filipe La Féria. O desempenho valeu-lhe o Prémio de Ator Revelação, em 1981.

Sob a direção de La Féria, Samora participou ainda em "A Marquesa de Sade", de Yukio Mishima, "A Ilha do Oriente", de Mário Cláudio, e em "Eva Perón", de Copi.

Trabalhou também com Carlos Avilez, diretor e fundador do Teatro Experimental de Cascais, onde se apresentou em peças como "Hamlet", de Shakespeare, e em "Erros Meus, Má Fortuna, Amor Ardente", de Natália Correia.

O ator trabalhou com outros encenadores, como Fernanda Lapa, em "Medeia é bom rapaz", de Luís Riaza, "As Bacantes", de Eurípides, e em "Sétimo Céu", de Caryl Churchill, com Artur Ramos, em "A Castro", de António Ferreira, com Luís Miguel Cintra, em "Cimbelino", de Shakespeare, e com Solveig Nordlund, em "Traições", de Harold Pinter.

No cinema conta com mais de meia centena de títulos, desde "Le Soulier de Satin"/"O Sapato de Cetim" (1985), de Manoel de Oliveira, com quem também fez "Os Canibais" (1988), "A Caixa" (1994), "Palavra e Utopia" (2000), "Porto da Minha Infância" (2002), "Quinto Império" (2004) e "Singularidades de uma Rapariga Loira" (2009), além de "Party" (1996), que protagonizou com Michel Piccoli e Irene Papas.

No cinema trabalhou igualmente com realizadores como José Álvaro Morais, João Mário Grilo, João Botelho, Manuel Mozos, Miguel Gomes, António-Pedro Vasconcelos, Maria de Medeiros, Luís Filipe Rocha, Margarida Cardoso, Rosa Coutinho Cabral, José Fonseca e Costa, Joaquim Leitão, Raoul Ruiz e Jorge Cramez, em filmes como "O Bobo" (1987), "Aqui d'El-Rei" (1992), "Adão e Eva" (1995), "Sinais de Fogo" (1995), "Jaime" (1999), "A Falha" (2002), "A Corte do Norte" (2008) e "As Mil e Uma Noites" (2015).

O cineasta Fernando Lopes dirigiu-o em "O Delfim" (2002), adaptação do romance de José Cardoso Pires, em que contracenou com Alexandre Lencastre, desempenho que lhe valeu uma nomeação para o Globo de Ouro SIC/Caras de Melhor Ator (2003).

Ainda sob a direção do realizador de "Belarmino", participou também em "Matar Saudades" (1988), "98 Octanas" (2006) e "Os Sorrisos do Destino" (2009), nos quais voltou a contracenar com Alexandra Lencastre, de quem era amigo, e com atores como Laura Soveral, Teresa Madruga e Eunice Muñoz.

Em 2019, participou no filme "Amadeo", de Vicente Alves do Ó, com estreia prevista para o ano passado, adiada, entretanto, devido à pandemia.

Distinguido com vários prémios, Rogério Samora recebeu em 2010 o Golfinho de Ouro de carreira, do Festival Internacional de Cinema Festróia, de Troia.

Na altura, quando completava 30 anos de carreira, a diretora do certame, Fernanda Silva, justificou a atribuição, recordando que Rogério Samora tinha já interpretado mais de 150 personagens, entre filmes, séries e novelas.

O ator, com o músico Rodrigo Leão, participou também em várias sessões de poesia, nomeadamente no antigo bar Frágil, em Lisboa, confessando que, entre os autores que mais gostava de dizer, estavam Agostinho da Silva e José Agostinho Baptista.

Em 2020, num trabalho com a fotógrafa Margarida Dias, posou nu, no contexto do confinamento, para um calendário cujas vendas se destinavam a apoiar a Rede de Emergência Alimentar. O próprio ator partilhou várias fotografias da campanha, nas suas redes sociais, escrevendo: "Ajudar não pode parar".

Governo recorda "um dos mais completos atores da sua geração"

A ministra da Cultura, Graça Fonseca, lamentou "profundamente" a morte do ator Rogério Samora, recordando-o como "um dos mais completos atores da sua geração".

Numa série de publicações na conta oficial do Ministério da Cultura no Twitter, Graça Fonseca salienta que, "numa carreira que o tornou uma presença permanente junto do público português, seja no teatro, no cinema ou na televisão, o talento de Rogério Samora fê-lo destacar-se como um dos mais completos atores da sua geração".

"Na sua voz e nos seus gestos, as complexidades, os matizes e as contradições da natureza humana ganhavam uma dimensão única, que o público português e os seus pares sempre reconheceram", lê-se numa das publicações.

Marcelo recorda "um dos mais carismáticos atores da sua geração"

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, lamentou a "morte precoce" de Rogério Samora, considerando "uma grande perda" para o público português de "um dos mais carismáticos atores da sua geração" e que "deixou marca".

"A morte precoce de Rogério Samora, um dos mais carismáticos atores da sua geração, é uma grande perda para os seus familiares e amigos, mas também para o público português de teatro, cinema e televisão, que nele encontrou, há décadas, um intérprete de eleição", refere Marcelo Rebelo de Sousa, através de uma nota publicada no 'site' da Presidência.

O chefe de Estado envia as suas "sentidas condolências" à família e amigos de Rogério Samora, que considera "uma presença forte, afirmativa, um ator que deixou marca, em particular no registo por natureza mais perene, que é o do cinema".

"O que permitirá às gerações futuras entender a admiração e a estima que por ele tiveram os espectadores do nosso tempo", defende também.

SIC e TVI lamentam morte de "homem e ator notável"

Os canais de televisão SIC e TVI já lamentaram a morte do ator Rogério Samora, cuja carreira esteve ligada a ambos, com a participação em telenovelas e séries como "Jornalistas", "Amor Amor", "Equador" e "Fascínios".

A SIC, em comunicado, lamenta a morte de Rogério Samora, "um homem e ator notável, com um talento ímpar na arte de representar".

"Vivemos momentos felizes e inesquecíveis, que ficarão para sempre na memória de todos", refere a estação, destacando várias séries e telenovelas exibidas na SIC cujos elencos Rogério Samora integrou, como "Jornalistas", "O Jogo", "Rosa Fogo", "Mar Salgado", "Amor Maior", "Nazaré" e "Amor Amor".

A TVI, também em comunicado, refere ter recebido "com grande pesar" a notícia da morte de Rogério Samora.

Recordando que o ator integrou projetos exibidos na TVI como "Flor do Mar", "Equador" ou "Fascínios", a estação de Queluz de Baixo salienta que Rogério Samora foi "sempre muito acarinhado pelos colegas".

"A sua falta será para sempre sentida", garante.

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