Morreu José David Lopes, o jornalista que se casou com o DN

Repórter arguto, editor competente, um jornalista apaixonado pela profissão e pelo <em>Diário de Notícias</em>, no qual trabalhou de 1969 a 2006. José David Lopes faleceu nas primeiras horas de sábado, aos 75 anos, vítima de doença prolongada.
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Não foi diretor, mas José David Lopes desempenhou todas as outras funções de um jornalista: foi repórter, redator, editor, cronista no jornal da sua vida, o Diário de Notícias. E em tudo se destacou pela positiva. "Era um jornalista completo, com J grande", comenta o antigo colega de redação e amigo Faria Artur.

"Na vida do José David Lopes o que contava sempre, em primeiro lugar, à frente até de interesse pessoais, era o Diário de Notícias." A frase é do camarada e amigo José António Santos e resume a dedicação do jornalista que morreu às 04.00 de sábado no Hospital dos Capuchos, após cinco anos de luta contra o cancro.

"Tinha uma faceta que ficou sempre marcada no exercício da profissão: a lealdade. Foi mais leal ao Diário de Notícias do que a todas as outras circunstâncias na vida a que se tivesse entregado porque o DN estava acima de tudo", acrescenta.

À exceção do semanário Extra, no qual trabalhou com Mário Ventura Henriques na sequência do processo disciplinar e suspensão de que foi alvo, no final de 1975 (acusado de "gonçalvismo"), o Diário de Notícias foi a sua única casa.

Aos 26 anos, este algarvio de Monchique trocou os estudos universitários pelo jornal. "Iniciou uma carreira brilhante entre as páginas do jornalismo português", e foi "um dos melhores jornalistas da sua geração", comenta José António Santos.

Grandes reportagens em Cabo Verde

"Repórter arguto e cronista exímio", comenta José António Santos, destaca entre alguns dos seus trabalhos mais marcantes a cobertura da independência, em 1975, de Cabo Verde. Voltou 20 anos depois ao arquipélago para fazer grandes reportagens sobre a atividade do vulcão da ilha do Fogo.

Uma série de reportagens que fez com Mário Ventura Henriques foi uma ideia que este último trouxe do Diário Popular e que tinha feito com Baptista-Bastos: um percorria o país a partir do norte, o outro a partir do sul, e trocavam bilhetes-postais entre as reportagens.

Faria Artur destaca também o trabalho que José David Lopes desenvolveu enquanto editor da secção de Ciência e Tecnologia.

"Além de grande profissional, era um homem de grande formação humana. Entregava-se de alma e coração na defesa dos valores em que acreditava. Fez isso no Sindicato dos Jornalistas e durante muitos anos nos conselhos de redação que integrou", evoca Santos.

"As suas opiniões eram sempre ouvidas e respeitadas. Era um amigo sempre presente", recorda Faria Artur.

José David Lopes deixa cinco filhos de três ligações, a última das quais com a jornalista do DN Cadi Fernandes, também já falecida. O seu terceiro filho, Ricardo David Lopes, também começou o ofício no Diário de Notícias, estando hoje radicado em Angola.

O velório, na Igreja de São Jorge de Arroios, em Lisboa, acontece a partir das 17.00 de domingo. O funeral está marcado para segunda-feira, no Cemitério do Alto de São João, às 12.00.

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