Morreu Harold Bloom, o ensaísta que elogiava Pessoa e Saramago

O crítico e ensaísta norte-americano Harold Bloom morreu aos 89 anos após uma vida dedicada à imposição do cânone literário ocidental. Depois da publicação de um primeiro livro em 1959 nunca mais deixou de exercer esse papel

Nascido em 1930, o professor da Universidade de Yale morreu esta segunda-feira, após uma longa carreira de crítica literária que mudou o paradigma do ensaio e da análise da literatura desde os mais antigos tempos. Autor de mais de 40 livros, além da crítica literária dedicou vários volumes à religião, além de ter sido responsável pela edição de várias centenas de antologias e até escreveu um romance.

Traduzido em mais de 40 línguas, com vários títulos no nosso país, dedicou atenção na sua obra principal, O Cânone Ocidental, à poesia de Fernando Pessoa. Além do poeta português, Bloom era um entusiasta da obra de José Saramago.

A sua primeira obra intitulava-se Shelley's Myth-making e analisava o trabalho do poeta Percy Shelley. Posteriormente, foi tomado pelo estudo da cabala e de outros ritos após uma crise intelectual devido à impossibilidade de acreditar num deus que permitia a morte de milhões na II Guerra Mundial, a que se seguiu a carreira que o notabilizou. O estudo da poesia foi o passo seguinte, designadamente através de Yeats.

A publicação de O Cânone Ocidental tornou-o mundialmente conhecido, livro onde realizava a análise das obras mais importantes da Europa e dos Estados Unidos, a que acrescentou outro livro sobre o cânone, O Que Ler e Porquê, provocando um novo interesse pelos autores contemporâneos.

Profundo admirador de William Shakespeare, Bloom dedicou um estudo ao autor inglês intitulado A Invenção do Humano. Também declarou a sua admiração por Samuel Beckett, que considerou uma das vozes mais importantes enquanto foi vivo.

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