Diogo Ramada Curto
Diogo Ramada CurtoUniversidade Nova

Morreu Diogo Ramada Curto, historiador que desafiou as narrativas oficiais

Diretor da Biblioteca Nacional e Professor Catedrático na NOVA FCSH, o intelectual de 66 anos deixa um legado marcado pelo rigor crítico e pela renovação das ciências sociais em Portugal.
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Morreu este sábado (11 de abril), aos 66 anos, Diogo Sassetti Ramada Curto, voz distinta -- e, por vezes, polemista -- da historiografia contemporânea. Diretor-Geral da Biblioteca Nacional de Portugal (BNP) desde abril de 2024 e professor catedrático na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, o seu desaparecimento deixa um vazio no pensamento crítico sobre o império e a sociedade portuguesa.

Com um percurso entre a academia e o mundo, Ramada Curto nascido em Lisboa a 22 de abril de 1959 e foi um discípulo direto de Vitorino Magalhães Godinho, de quem herdou a visão da história enquanto ciência social integrada. Licenciou-se em História e doutorou-se em Sociologia Histórica pela Universidade Nova de Lisboa, instituição onde consolidou a sua carreira docente.

O seu prestígio levou-o a cruzar fronteiras. Durante oito anos, ocupou a prestigiada Cátedra Vasco da Gama em História da Expansão Europeia no Instituto Universitário Europeu de Florença. Passou ainda por instituições de renome mundial como a École des Hautes Études en Sciences Sociales em Paris, e as universidades de Yale e de São Paulo, onde foi professor visitante.

Além da docência, o seu contributo para a cultura portuguesa passou pelo setor editorial. Foi o responsável pela fundação e direção da coleção "Memória e Sociedade" na Difel, e mais tarde pela coleção "História e Sociedade" nas Edições 70. Através destes projetos, introduziu no mercado nacional obras fundamentais de autores internacionais, permitindo a gerações de estudantes e investigadores o acesso a novos paradigmas das ciências sociais.

Uma voz também crítica

Conhecido pelo seu espírito inquieto, o historiador não se coibia de intervir no debate público, questionando frequentemente as visões mais tradicionais ou "celebratórias" da Expansão Portuguesa.

A sua obra, que inclui títulos como Cultura Escrita: Séculos XV a XVIII ou A Expansão Marítima Portuguesa, reflete um foco constante nas dinâmicas de poder, na sociologia da cultura e na desconstrução de mitos históricos.

Nos últimos meses, dedicava-se à gestão da Biblioteca Nacional de Portugal, cargo para o qual tinha sido nomeado com o intuito de continuar a modernização e a abertura daquela instituição à comunidade académica e ao público em geral.

O desaparecimento foi lamentado pela ministra da Cultura, Margarida Balseiro Lopes, nas redes sociaisi:

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