Morreu a pianista Tania Achot. Tinha 85 anos

De origem arménia, era considerada uma precursora de uma nova escola de piano em Portugal.

A pianista Tania Achot, de 85 anos, morreu esta quinta-feira, em Lisboa, disse à agência Lusa o pianista Nuno Vieira de Almeida, salientando o "empenho fundamental" de Tania Achot para "o surgimento de uma nova escola de piano" em Portugal, empenho que partilhou com o pianista José Sequeira Costa, com quem foi casada.

De origem arménia, Tania Achot-Haroutounian era natural da antiga Pérsia, atual Irão, onde nasceu em 1937, a 3 de janeiro, mas afirmava-se de origem e formação musical russas.

Começou os estudos de piano aos oito anos em Teerão e, aos 14 anos, mudou-se para França, onde estudou no Conservatório de Paris com Lazare Lévy. Na Polónia teve aulas com Henryk Sztompka.

Em 1960, ficou em 3.º lugar no Concurso Internacional de Piano Chopin, em Varsóvia, edição vencida pelo pianista italiano Maurizio Pollini.

Nuno Vieira de Almeida salientou o "empenho fundamental" de Tania Achot para "o surgimento de uma nova escola de piano" em Portugal, empenho que partilhou com o pianista José Sequeira Costa, com quem foi casada.

Vieira de Almeida, que foi seu aluno, realçou à Lusa que Tania Achot "foi uma das pessoas que contaram, e muito, para o nascimento de uma consciência coletiva do que é a arte de tocar piano". "A ligação entre um trabalho manual ou até mesmo físico e uma realidade artística dada pela obra é a função de todos os músicos", reforçou.

Gerações de pianistas contam-se entre os antigos discípulos de Tania Achot, de Vieira de Almeida e Carla Seixas, a Joana Gama, Paulo Oliveira, Sara Carvalho e Teresa Palma Pereira.

"Era uma fulgurante pianista, os seus recitais a solo e a dois pianos com o Sequeira Costa na [Fundação] Gulbenkian [em Lisboa] estão para sempre gravados na minha memória", afirmou Nuno Vieira de Almeida.

Tania Achot foi nome recorrente nas temporadas de música da Fundação Calouste Gulbenkian, quer atuando com a orquestra, quer em recitais a solo, integrada nos ciclos de piano.

Beethoven, Chopin, Schumann, Scriabin, Rachmaninoff estão entre os compositores mais presentes nos seus programas, sem no entanto deixar de prestar a atenção outros universos, como a contemporaneidade de Pierre Boulez e de António Pinho Vargas, de quem interpretou "Mirrors", no Grande Auditório da Fundação Calouste Gulbenkian.

Tania Achot-Haroutounian iniciou os estudos de piano aos oito anos em Teerão. Aos 14 anos mudou-se para França, onde estudou no Conservatório de Paris com Lazare Lévy. Na Polónia teve aulas com Henryk Sztompka.

Participou, em 1956, na ARD International Music Competition em Munique, na Alemanha, onde obteve uma menção honrosa. Na Music Performance Competition em Genebra, em 1958, alcançou as meias-finais e, na Marguerite Long-Thibaud Competition em Paris, em 1959, classificou-se em 6.º lugar.

Em 1960, ficou em 3.º lugar no Concurso Internacional de Piano Chopin, em Varsóvia, edição vencida pelo pianista italiano Maurizio Pollini.

Atuou nas mais diversas salas portuguesas, da Casa da Música ao Orfeão da Covilhã, lecionou vários cursos de aperfeiçoamento e foi professora na Escola Superior de Música de Lisboa.

Na sua discografia destaca-se "Música A Dois Pianos" (1982), com Sequeira Costa, e obras de Rachmaninoff, Chostakovitch e Prokofieff, assim como a gravação de Noturnos, Mazurcas e dos Prelúdios op.28, de Chopin, na Deutsche Grammophon, no contexto de uma edição dedicada ao Concurso Chopin de Varsóvia.

Na apresentação do seu recital na Casa da Música, em 2009, podia ler-se que "Tania Achot é uma das raras pianistas (...) ao serviço de uma técnica perfeita, uma sensibilidade e uma capacidade emotiva autênticas e de grande intensidade".

Em 1985, numa conversa com o cirurgião João Lobo Antunes, no programa "Encontros", de Rui Esteves, na RTP, Tania Achot explicou o seu sentido de inspiração, a coragem necessária para evitar rotina, ir além do seguro pelo seguro: "Inspiração é risco", assegurou.

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