Morreu a atriz Elisa Lisboa
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Morreu a atriz Elisa Lisboa

Vivia na Casa do Artista desde 2018. Tinha 81 anos.
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Morreu a atriz Elisa Lisboa, anunciou esta sexta-feira, 9 de janeiro, a Casa do Artista, onde esta residia desde 2018.

Numa publcação nas redes sociais, a Casa do Artista traça o percurso da atriz, que tinha 81 anos, com uma fotografia tirada em novembro, numa sessão fotográfica organizada com residentes, familiares e amigos. "Adorava ser fotografada. Estava feliz", diz a instituição.

Nascida em Lisboa, a 8 de março de 1944, Elisa Lisboa era filha do distinto cantor de ópera José Eurico Corrêa Lisboa e de uma professora e neta do maestro Eduardo Pavia de Magalhães e da pianista Branca Belo de Carvalho.

Estudou música e chegou ao sexto ano de piano, paixão que manteve ao longo da vida, tendo ido para o teatro “um bocado por exclusão de partes”, como disse em 2012 numa entrevista à RTP, na qual explicou que foi pedir ao fundador do TEC Carlos Avilez para que a deixasse trabalhar em cena.

Nos primeiros anos de atividade como atriz, trabalhou no Teatro Experimental de Cascais em espetáculos como “Bodas de Sangue” (1968), “Maria Stuart” (1969), “Antepassados Precisam-se” (1970), “Um Chapéu de Palha de Itália” (1970) ou “O Rei Está a Morrer” (1970).

Depois do TEC, passou por companhias como a Rey Colaço-Robles Monteiro, onde fez “Hedda Gabler”, de Ibsen, e “O Duelo”, de Bernardo Santareno, ainda antes do 25 de Abril, a que se seguiu um extenso percurso com o Grupo Teatro Hoje, o Teatro da Graça, que ajudou a fundar.

Com essa companhia interpretou múltiplas peças, desde “A Gaivota”, de Tchekov, a “Uma Abelha na Chuva”, de Carlos de Oliveira, e “As Lágrimas Amargas de Petra von Kant”, de Fassbinder. Sobre esta última obra, encenada em 1986 no Teatro da Trindade, em Lisboa, escreveu o crítico Tito Lívio que foi a mais “sublime interpretação” de Elisa Lisboa, no papel daquela “figura muda de palavras, presença inquietante, sombra não submissa embora o pareça, da protagonista, Petra von Kant”.

Em 1969 chegou a ser anunciada para interpretar o tema "Desfolhada", mas com o qual Simone de Oliveira ganhou o Festival da Canção. Em 1974, gravou o single "Os Poetas/Velho Tio Tom", com a colaboração dos músicos do Quarteto 1111.

Foi professora da Escola Superior de Teatro e Cinema.

Fez muito teatro, teve inúmeras participações em cinema e deu vida a várias personagens na televisão, sendo reconhecida pelos trabalhos em “Tragédia da Rua das Flores” (RTP 1981), “Sozinhos em Casa” (RTP 1994), “Sabor da Paixão” (Rede Globo 2002/2003), “Morangos com Açúcar” (TVI 2006), “Floribella” (SIC 2006), “Ilha dos Amores” (TVI 2007), “Podia Acabar o Mundo” (SIC 2008), “Conta-me Como Foi” (RTP 2008/2009), “Liberdade 21” (RTP 2009), “Flor do Mar” (TVI 2009), “Meu Amor” (TVI 2009/10), “Regresso a Sizalinda” (RTP 2010), “Doce Tentação” (TVI 2012/2013), “Mulheres” (TVI 2014), “Bem-Vindos a Beirais” (RTP 2015), e “A Impostora” (TVI 2016), o seu último trabalho.

Por essa altura sofreu um AVC que a deixou bastante debilitada.

Em todos os campos de ser atriz, acho que 80% é técnica, depois há uns 10% que é ter uma boa voz e qualidades para representar e outros 10% é ter o talento e a inteligência para pegar nisto tudo e fazer qualquer coisa. Depois, há 1% que sai fora destes 100% que é aquela coisa que espero sempre que chegue, que é a faísca, que o meu anjo da guarda faça assim, toc”, defendeu a atriz quando questionada, em 2012, sobre se preferia o teatro ou a televisão.

*com Lusa

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