Exclusivo Marco Martins e Beatriz Batarda: inquietação, inquietação...

O DN juntou Marco Martins e Beatriz Batarda. O pretexto é Great Yarmouth - Provisional Figures, estreado esta semana. O realizador e a atriz falam deste olhar brutal sobre uma exploração desumana de operários portugueses num esquema de emigração nesta Inglaterra do Brexit. Dois criadores que do teatro ao cinema exploram os limites de uma entrega artística.

Conhecem-se desde miúdos e juntos abriram uma companhia teatral, a vital Arena Ensemble. Marco Martins, sempre a dirigir, Beatriz Batarda sempre do lado do palco, em frente à câmara. Já nos deram muito, agora em Great Yarmouth - Provisional Figures parecem dar tudo num drama de dureza enlutada sobre uma comunidade portuguesa de emigrantes em Great Yarmouth, cidade costeira inglesa, outrora famosa pelos seus casinos e turistas, agora presa a uma depressão económica e a um sistema de capitalismo que faz com que fábricas tratem seres humanos como escravos.

Beatriz Batarda é uma portuguesa que tenta sobreviver a um esquema e começar a ter também um negócio de alojamento com os emigrantes que chegam de Portugal para entrar num processo de abuso total. A sua Tânia é uma espécie de vítima que encontra no seu pequeno poder um escape para esquecer o marido alcoólico e uma vida cinzenta. É uma interpretação arrancada aos locais mais negros da alma humana e é uma espécie de motor autónomo deste objeto de cinema. Como se a câmara de Marco fosse refém da sua respiração, dos seus desejos, das suas lágrimas.

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