Madonna: "Harvey Weinstein ultrapassou os limites quando trabalhámos juntos"

Numa entrevista à The New York Times Magazine, a cantora conta que o assédio aconteceu quando gravaram o documentário Na Cama Com Madonna. Passa a sua vida em retrospetiva e diz que Lisboa é medieval.

Agora foi Madonna a vir a terreiro falar dos avanços sexuais de Harvey Weinstein. A cantora norte-americana denuncia o produtor de Hollywood, dizendo que "passou das marcas e ultrapassou os limites" com ela.

O assédio terá acontecido quando os dois trabalharam juntos no documentário da tournée de 1991 Truth or Dare (Na Cama Com Madonna), que foi distribuído pela antiga empresa de Weinstein, a Miramax.

As denúncias de Madonna foram feitas durante na entrevista à The New York Times Magazine - com o título "Madonna aos 60" para promover o novo álbum Madame X. E onde, além das revelações sobre o assédio sexual, não deixou de falar de Lisboa e de surpreender já que considera a cidade "muito medieval".

Na entrevista, a cantora considerou Weinsteim "incrivelmente atiradiço sexualmente e ansioso comigo quando trabalhámos juntos. Na altura ele era casado e eu, obviamente, não estava interessada."

Madonna acrescentou que era sabido no meio que Harvey Weinstein agia de forma semelhante com com outras mulheres, mas que todas acabavam por aceitar a situação e a viam quase como normal porque os seus filmes eram grandes êxitos e todas queriam trabalhar com ele.

Quando no final de 2017 começaram a ser conhecidas denúncias de que Harvey Weinstein tinha abusado e agredido mulheres, Madonna disse que se ele fosse preso não ficaria feliz por isso. "Nunca iria torcer pelo fim de ninguém. Não é um bom karma. Mas acrescentou: "Foi bom que alguém que abusou do seu poder durante tantos anos tenha sido responsabilizado."

Na entrevista à NYTM, Madonna também negou o boato de que teria pedido para sair com Donald Trump. Mas contou que quando filmava uma campanha da Versace com Steven Meisel na casa do fotógrafo, em Palm Beach, o atual presidente dos Estados Unidos ligou várias vezes para falar com ela. "Está tudo bem? Está confortável? As camas são confortáveis? Está tudo bem? Está feliz?"

Madonna não deixou de dar umas alfinetadas ao presidente norte-americano, dizendo que é fraco de caráter. "Um homem que é seguro de si mesmo, um ser humano que está seguro de si, não precisa de estar sempre a fazer bullying às pessoas."

A solidão em Portugal e a Lisboa medieval

Nesta entrevista, a cantora referiu-se também à sua vida em Portugal onde, disse, se sentiu sozinha e queria fazer amigos. E apesar de esclarecer que não vivia em nenhum castelo, como se chegou a dizer, considerou que Lisboa é parada no tempo. "É muito medieval e parece um lugar onde o tempo, de certa forma, parou, parece muito fechado."Tem uma vibração cool, mas sentia-me muito afastada de tudo no sítio onde vivia com os meus filhos."

A cantora, que é referida como uma das mais famosas soccer mums da atualidade, lamenta-se de uma vida pouco interessante em Portugal. "Era o [jogo] FIFA, a escola dos meus filhos e mais nada." A cantora decidiu viver em Portugal para acompanhar o filho David Banda que joga nas camadas jovens do Benfica.

Madonna conta que numa noite de música improvisada visitou a casa de um francês debruçada sobre o mar e encontrou lá vários artistas, sobretudo fadistas. "Havia lá uma vibração mágica e palpável e, de repente, os músicos começaram a tocar". Diz que entrou em transe quando ouviu a variedade de músicos que se levantavam dos sofás e das cadeiras para cantar e tocar guitarra - sambistas brasileiros, quartetos de jaz e uma artista da Guiné-Bissau, que cantou em mandinga, uma língua africana.

Madame X, o seu último trabalho, que foi gravado ao longo de 18 meses entre Portugal, Londres, Nova Iorque e Los Angeles foi, no entanto, influenciado por Lisboa - "o álbum é mais sombrio do que o habitual", escreve a jornalista do NYT. Para acrescentar que a "rainha da pop" experimentou géneros musicais como o fado, o rap e o batuque cabo-verdiano.

Madame ❌ on the cover of N.Y.T. Magazine photographed by my dear friend @jr..........Also sharing my fav photo that never made it in, along with pre-shoot chat and a celebratory glass of wine after many hours of work! To say that I was disappointed in the article would be an understatement- It seems. You cant fix society And its endless need to diminish, Disparage or degrade that which they know is good. Especially strong independent women. The journalist who wrote this article spent days and hours and months with me and was invited into a world which many people dont get to see, but chose to focus on trivial and superficial matters such as the ethnicity of my stand in or the fabric of my curtains and never ending comments about my age which would never have been mentioned had I been a MAN! Women have a really hard time being the champions of other women even if. they are posing as intellectual feminists. Im sorry i spent 5 minutes with her. It makes me feel raped. And yes I"m allowed to use that analogy having been raped at the age of 19. Further proof that the venerable N.Y.T. Is one of the founding fathers of the Patriarchy. And I say--DEATH TO THE PATRIARCHY woven deep into the fabric of Society. I will never stop fighting to eradicate it.

Uma publicação partilhada por Madonna (@madonna) a

Depois da publicação da entrevista online, a cantora decidiu usar o Instagram para criticar a jornalista, afirmando que Vanessa Grigoriadis preferiu centrar-se em questões banais e superficiais, mesmo tendo acesso a todo o tipo de informação. "Comentários intermináveis sobre a minha idade nunca teriam sido mencionados se eu fosse um homem!", escreveu Madonna.

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