Fundador da Everything is New, promotora do festival NOS Alive, Álvaro Covões fala com orgulho no trabalho de duas décadas que permitiu colocar o NOS Alive na rota dos grandes festivais do mundo. Com dois dias esgotados, o evento apresenta uma novidade. “O palco literário é uma obrigação nossa de incentivar os portugueses a consumirem cultura”, diz Álvaro Covões. Este ano o investimento no evento patrocinado pela NOS foi de 13 milhões de euros. O operador de telecomunicações deverá continuar associado ao festival, com o novo acordo a ser anunciado brevemente, diz Álvaro Covões. Crítico da política cultural dos sucessivos governos por considerar que discrimina o setor privado, diz que a nova lei do mecenato não vai mudar nada e reinvindica o acesso das empresas privadas aos vistos gold culturais. A capacidade do NOS Alive é de 56 mi l entradas por dia. Tem-se mantido estável? Sim, tem sido assim o nosso histórico. Nós fomos, talvez, o primeiro festival a esgotar, pelo menos num dos dias, com muita antecedência. Porque havia aquele storytelling de que os festivais nunca esgotam. Não é bem assim, os festivais também têm uma lotação. Quer continuar nos 56 mil ou gostaria que o festival crescesse em lotação? Não. É um modelo construído para 56 mil pessoas. Para nós este é o número ideal por uma razão: porque há sempre um ou dois ou três artistas que todos querem ver, são os chamados cabeças de cartaz. Por isso parece-nos o número ideal para as pessoas verem com um mínimo de conforto. Quando digo mínimo de conforto, digo proximidade do palco. Porque depois é uma lotação gigantesca e perde-se um pouco a ligação. Ou seja, na prevê sair do Passeio Marítimo de Algés, que não tem margem de expansão?O evento foi desenhado para aqui, mudar de sítio seria a mesma coisa que mudar radicalmente o festival. Por exemplo, o Festival ao Largo, mudou-se para o CCB por o largo e o teatro de São Carlos estarem em obras. É um sítio bonito também, mas não é exatamente a mesma coisa, passou a ser uma coisa diferente. A identidade dos eventos também está muito ligada ao espaço onde se realizam, e o Passeio Marítimo da Algés é a casa do NOS Alive. O Rock in Rio mudou de casa, foi do Parque da Bela Vista para o Parque Papa Francisco.Cada um tem sua estratégia, se eles decidiram mudar, eles lá saberão porquê. Para já, porque o espaço é muito maior do que o Parque da Bela Vista, mas nós não temos intenções de crescer. E, além do mais, isto é como no teatro, a base desta indústria vem do teatro, somos muito supersticiosos, isto aqui sempre correu bem, nesta casa, não queremos mudar. É supersticioso?É verdade, nascemos nisto, temos superstições, como é lógico, senão não seríamos da Cultura (risos). .Nos anos em que há Rock in Rio, sentem impacto nas vendas do NOS Alive?Nós até esgotámos primeiro que o Rock in Rio. Às vezes é ao contrário, quando há mais oferta, há mais promoção, incentiva-se mais o público a consumir este tipo de produto. Eu aprendi isso com um diretor do Centro Comercial de Colombo, António Bettencourt. Ele dizia: eu tenho duas retrosarias, se puser uma terceira, trago quatro vezes mais pessoas. Porque as pessoas assim já sabem, se uma não tiver, têm outra, se as duas não tiverem, há uma terceira que tem de certeza. Obviamente que aqui não é uma questão de procura, porque os cartazes são todos diferentes, é impossível encontrar o mesmo artista num festival como noutro, ou pelo menos os principais artistas, mas acho que nunca sentimos, quando há Rock in Rio, uma diminuição de público, pelo contrário, até muitas vezes sentimos um aumento de público. Quanto mais festivais houver melhor, não teme a concorrência? Não é mais festivais, também não pode haver cem, não há público para cem, não é haver mais. Mas estávamos a falar do Rock in Rio, se afetava, e não afeta, de facto, às vezes até alavanca.Há festivais a mais em Portugal?Eu creio que não, aliás, infelizmente uns descontinuaram, apareceram outros novos, isto é o ciclo da vida, é como a restauração, há restaurantes que perduram anos e anos, outros foram um grande sucesso e fecharam, depois apareceram restaurantes novos, e com os festivais é o mesmo. Mas acho que estamos no mesmo patamar de oferta, pelo menos ao nível dos grandes festivais. O Primavera no Porto, o Vodafone Paredes de Coura, o NOS Alive, o Rock in Rio, o MEO Marés...O bilhete diário de entrada no NOS Alive aumentou de 69 euros em 2020 para 84 euros em 2026, um aumento de cerca de 20%...Sim, mas temos que ver também o índice de preços. É preciso não esquecer que existiu um fenómeno que foi a inflação, que veio com várias crises sucessivas, a primeira foi a pandemia, depois a guerra da Ucrânia e agora a crise do Irão. Houve um aumento substancial de custos de contexto, ou seja, custos dos transportes, custos de todos os equipamentos, tudo aumentou. Mesmo assim, nós mantivemos o preço de 2025. Portanto, na realidade, baixámos o preço. Em termos económicos, este ano é mais barato do que no passado. Nominalmente é o mesmo valor, mas é mais barato. E depois é preciso não esquecer outra coisa. Há muitos concertos em que o bilhete é muito mais caro para ver um artista ou dois. E no caso do NOS Alive temos mais de 40 apresentações por dia - agora tenho que dizer apresentações, porque temos um palco literário, antes dizia espetáculos. Eles não vão fazer um espetáculo, vão fazer uma conferência, uma palestra. E temos mais de 40. Diz que os estrangeiros representam entre 15 a 20% do público do NOS Alive. Querem atrair mais estrangeiros, qual é a vossa meta? Nós, no início, procurámos os estrangeiros. E por isso é que fomos o primeiro festival a esgotar com antecedência, pelo menos um dia. Foi assim que começámos há muitos anos. Porque, de facto, isto é um país que tem pouca gente. Éramos dez milhões agora somos 11 milhões e pouco. E, se calhar, parte dos que cá estão nem gostam deste estilo de música. Mas nós tínhamos necessidade de trazer mais consumidores, e os estrangeiros ajudaram-nos a vender aquilo que não se conseguia vender. Mas o festival continua a ser dirigido a portugueses. Ainda agora, este ano, apresentámos um oitavo palco, que é um palco português, falado em português, que é o palco literário, com autores portugueses. Aliás, temos vários palcos em que só se fala português, o Palco Fado, o Palco Comédia, o Palco Literário. Portanto, é um festival muito dirigido aos portugueses, mas, é um festival internacional. Tivemos essa sorte de atingir o patamar de ser considerado um dos melhores festivais do mundo. E estamos na rota dos grandes festivais. Porque, precisamente, também temos grandes artistas nos outros palcos. Se falarmos no dia 11, não temos um cabeça de cartaz, temos cinco. Temos o Teddy Swims, Lorde, Florence + The Machine, Buraka Som Sistema e Pixies. Disse num podcast que há o cartaz ideal, o cartaz possível, depois o cartaz que acontece. Nesta edição, qual é a distância entre o ideal e o que acontece? Esse cenário não significa que seja sempre a descer, não significa que comecemos muito alto e venhamos a descer por aí abaixo. Às vezes até temos surpresas. E acontece muitas vezes. Em muitos anos aconteceu isso. Aliás, o facto de termos, só no Palco NOS, como eu referi, no dia 11, o Teddy Swims, Lorde, Florence + The Machine e Buraka, em termos de produção é de uma complexidade tal, porque eles são todos, de facto, cabeças de cartaz em muitos festivais, sozinhos. E, se calhar, quando começámos a planear, não estávamos a pensar ter esses quatro naquele dia. O ideal é aquilo que nós gostaríamos de ter, mas com os pés assentes na terra, sabendo que eles vão ter disco, ou que vão para a estrada. Ainda não sabemos se vão fazer uma tour ou de estádios, ou de arenas, ou uma tour de festivais. Esse é o ideal. Depois, o possível é aqueles que ainda estão a avaliar que período é que vão fazer. Aquilo que acontece está dependente da logística. Eles não vêm de avião, grande parte, pelo menos os equipamentos, vêm por estrada, portanto, basta olhar para o mapa.A localização periférica de Portugal prejudica a atração dos artistas?Durante muitos anos prejudicou. Por isso é que foi muito importante ter uma classe profissional muito acima da média em todas as áreas que intervêm num festival ou num espetáculo, que trabalham muito melhor do que em muitos países. O conforto profissional de um artista é muito importante. Depois o público, um público fantástico, e as infraestruturas. Temos boas salas de espetáculo, não tantas como desejávamos, faltam salas, faltam teatros, faltam clubes. Quando queremos começar a trabalhar bandas novas, há uma dificuldade de salas tremenda. Há uma falta de teatros também, salas intermédias de mil, 1500 lugares. Mas mesmo assim, as que temos são muito boas. Por exemplo, Madrid não tem um Coliseu de Lisboa ou um Coliseu do Porto.Os artistas que estão no cartaz deste ano estão todos em turné?Sim, estão todos. É claro que grande parte deles acaba para atuar em Espanha, é fundamental. Mas é bom, porque há três festivais, três ou quatro grandes estivais em Espanha. Há em Madrid, em Bilbau, em Barcelona. Portanto, isso dá-nos mais possibilidades. .Falou na falta de salas, já disse que vai investir na construção de uma nova sala em Lisboa, de raiz. O que nos pode dizer sobre esse projeto?Estamos a aguardar a burocracia habitual das câmaras municipais, que voltam a aprovar o projeto. É um projeto que já esteve aprovado, mas a licença caiu por causa da covid, e sofreu alterações. E qual é a ideia que tem para essa sala?Portugal, e neste caso concreto Lisboa, é cada vez mais um destino cultural e um destino de turismo de negócios. E está a começar a ser também um destino de eventos desportivos. E é preciso equipamentos. Uma coisa que se aprende na faculdade é identificar oportunidades. Muitas vezes há espetáculos que não vêm a Portugal porque não há datas, nem salas. Há, de facto, necessidade de um espaço grande para receber grandes eventos. Neste caso, nas três áreas, desportiva, cultural e turismo de negócios.Será então uma sala polivalente?Sim, como todas as salas, o Coliseu é uma sala multiusos. É uma sala de 1890. O Coliseu do Porto também é multiusos, onde se faz circo, teatro, eventos corporativos. Por exemplo, no Coliseu, em Lisboa, fazia-se luta livre e boxe. Os espaços têm que ser multiusos para sobreviver. Esse é o problema dos cinemas. As salas de cinema estão a fechar, porque perdendo público no cinema, têm poucas alternativas para fazer outras atividades. E é uma pena. Quanto é que vai investir nela nessa nova sala? Tem garantido financiamento?Depende da avaliação do projeto final. É curioso que já dois bancos me contactaram depois de sair a notícia. Vai investir, apesar de considerar que não há incentivos em Portugal para os privados investirem na cultura...Claro, mas eu acredito que a situação vai mudar. Vai ter que mudar, porque o privado não pode ser inimigo do Estado. Eu vou dar um pequeno exemplo. Se um indivíduo qualquer decidir investir num restaurante e o restaurante não funcionar, pode transformá-lo numa drogaria, num supermercado ou numa loja de roupa. Pode mudar o uso. Se tiver o azar de fazer um cinema ou um teatro, é como um casamento católico, só o Papa é que pode desfazer. Neste caso, a ministra da tutela, que é quem decide a desafetação. Por isso é que durante muitos anos andávamos pelo país fora e víamos cineteatros a caírem de podres. Um indivíduo para mudar a utilização de um restaurante ou de um supermercado não está dependente da decisão de um ministro, da vontade política de uma pessoa. Nas desafetações é uma decisão unipessoal. Na cultura não se vive em democracia. Qual é o incentivo que as pessoas têm para construir uma sala de espetáculos? Nenhum. Pagam os mesmos impostos que os outros. Não têm apoio de lado nenhum.Mas é um negócio, devia ter um regime excecional?Pelo menos que não seja uma pessoa arbitrariamente a decidir a desafetação ou não. Se fosse um negócio como os outros, a pessoa mudava o uso. Só que não pode, é obrigada a mantê-lo. E isto faz uma grande diferença. Isto, por um lado. Por outro lado, em todos os setores da economia, nos setores mais carenciados, o Estado ajuda. É o papel do Estado. Como é que estamos de hábitos culturais? Estamos como estamos. É por isso que diz que há oportunidade, os hábitos culturais dos portugueses são tão baixos que só podem subir?Eu acredito nisso. Acredito que um dia as políticas mudem. Porque é que os privados não têm acesso aos vistos gold da cultura? Todos os vistos gold, seja do que for, eram para todos. Chega à Cultura, expulsa os privados. Porque é que um projeto dos privados é diferente de um projeto do Estado? Quem aprova os projetos para serem financiados por vistos gold é o Estado, é o GEPAC (Gabinete de Estratégia, Planeamento e Avaliação Culturais), do Ministério da Cultura. Porque é que os privados estão proibidos? Porque é que o dinheiro do PRR (Plano de Recuperação e Resiliência) que era para reabilitar a economia, na Cultura, o Estado utilizou100% do dinheiro? Isto é democracia?Que medidas reivindica do Governo?A primeira coisa é é incluir os privados no visto gold cultural e acabar com a discriminação. A segunda é fazer uma lei de mecenato que seja parecida com a espanhola ou a brasileira.A nova lei do mecenato não vem mudar muita coisa?Quase nada. 100 mil euros de mecenato em Espanha dão 100 mil euros de crédito fiscal à empresa. Em Portugal dá 7200. Isto é convergência?Há aquele discurso que temos de ser mais inclusivos, mas já quando falam na cultura em inclusão e diversidade eu fico arrepiado. Porque se há um setor que sempre foi inclusivo foi o da cultura. E agora vêm os políticos, seja do PS ou do PSD, a dizer que temos de ser inclusivos. Nunca houve discriminação na cultura, pelo contrário. Mas, estamos a criar discriminação porque estamos a criar um sistema em que o Estado controla cada vez mais a oferta cultural. Porque controla os equipamentos. Tem a DGArtes que apoia os projetos que lhe interessam. As pessoas não entenderam o que eu quis dizer sobre isto numa entrevista que eu dei. Vai ser inevitável que um dia um partido de extrema-direita seja governo. Está a acontecer em muitos países da Europa, são ciclos. E nós estamos a dar-lhes instrumentos para eles se perpetuarem no poder. Porque se eles controlarem a palavra, a comunicação social privada vai morrer toda. Que balanço faz da política cultural do governo?Um balanço muito positivo para o setor público. No setor privado, pura e simplesmente, nós continuamos sem ministro. Não nos tutela. Aliás, nós lançámos esta pergunta: o que é que nestes últimos dois anos foi feito, em termos de propostas de governo, para desenvolver o setor privado da cultura?Mas têm surgido nos últimos anos operadores privados. Portanto, há vontade de investimento?Há malucos. Se investem, acreditam nisto. Isto é uma luta pela liberdade. Os privados garantem a liberdade e a não discriminação. Não têm influência política. Não há cá ditadura do gosto para nós. É presidente residente da APEFE - Associação Promotores Espetáculos Festivais e Eventos da Associação de Promotores. Têm apresentado propostas ao Governo? Sim, várias. Nós já entregámos uma proposta para incluir os privados nos vistos gold culturais. Entregámos uma proposta de lei de mecenato que poderia dar uma despesa fiscal de cerca de 100 milhões de euros, mas que iria ser acessível ao país inteiro, de uma forma muito justa. Porque era só 500 mil euros por empresa por ano. Limitando, ao contrário de Espanha, que é bar aberto. A nossa proposta foi 4%, mas em reuniões chegámos a propor que começam com 1% do IRC. No Brasil, as empresas podem doar 4% do IRC que vão pagar para apoiar projetos culturais. Em Espanha, podem apoiar projetos culturais sem limite. Por isso é que o cinema espanhol está onde está e a cultura em Espanha está onde está. Aqui não. Quem vai dar 100 mil euros para ter um crédito fiscal de 7200?Apresentámos a todos os ministros até hoje uma quota de notícias de cultura nos serviços de informação. Porque se na música portuguesa funcionou, hoje consome-se muito música portuguesa. Apresentámos uma quota de 5% de notícias de cultura. Se falassem de cultura, se calhar estávamos a consumir mais cultura. Mas ninguém quer fazer nada.Quanto investiram este ano no NOS Alive?Este ano 13 milhões. E quanto é que esperam de retorno? Isso é estar a dar informação à concorrência.O NOS Alive é o evento principal da Everything is New em termos de receita?Claro, é o porta-aviões. Qualquer festival é um porta-aviões para qualquer empresa.Tem conseguido, apesar do contexto, ter uma empresa financeiramente sustentável.Mas há mais empresas financeiramente sustentáveis, não somos os únicos. Há muitas, não é que sejam mal geridas, mas em função da falta de poder de compra dos portugueses... este é um país pobre, é uma tristeza muito grande, as pessoas têm muito pouco dinheiro disponível. Em 52 anos não melhorou do ponto de vista económico, os pobres continuam a ser pobres, as pessoas continuam sem dinheiro. Vamos a Espanha e as pessoas consomem, têm dinheiro.Vai ser assinado novo acordo com a NOS?Haverá de ser anunciado em breve, sim, em princípio. Estamos nos pormenores finais.O município de Oeiras tem sido um grande apoio?Começou como um apoio, hoje é como se comprasse bilhetes. O apoio está totalmente ligado aos bilhetes que recebe. No início, quando não vendíamos tudo, era um apoio importante O acordo é um protocolo de colaboração, eles têm direito a bilhetes. O apoio está muito próximo do valor dos bilhetes com que ficam. Já foi mais importante do que era, quando não se vendia tudo era realmente importante. Agora, como se vende, já é diferente.Teve algum grande stress este ano em relação à organização do festival?Não, só o calor. Felizmente, em dois dias do festival não vamos ter esse calor forte. Já estão a trabalhar na próxima edição?Muito devagarinho, mas já estamos a ter conversas para 2028, mas 2027 já está muito adiantado. Isto é uma indústria que faz acontecer.Já disse que o festival não vai crescer em tamanho, como é que poderá evoluir nos próximos anos?É o cartaz. É muito difícil estar a fazer grandes alterações, os grandes festivais do mundo quando atingem um determinado patamar, mantêm-se iguais. Montam cartaz, e depois são pequenas alterações. Se tivesse espaço tinha mais palcos. O palco literário acho que é uma obrigação nossa enquanto sociedade civil de incentivar os portugueses a consumirem cultura. Estamos a transformar o NOS Alive num festival cultural e não só de música. Fomos o primeiro festival a dar um grande palco à comédia e hoje todos os festivais têm comédia. Se o número de espetadores de teatro aumentou foi pela comédia, porque conta para a mesma estatística. Mas é uma tristeza, dois milhões e meio de espetadores, quer dizer que os portugueses vão uma vez em cada quatro anos ao teatro. Portanto, aí está a oportunidade. .