La Scala de Milão vai devolver três milhões de euros à Arábia Saudita

Acordo de patrocínio envolvia o pagamento de 15 milhões em cinco anos. La Scala decidiu não aceitar dinheiro e recusou a nomeação do ministro da Cultura saudita para a sua administração.

O teatro La Scala vai ter de devolver mais de três milhões de euros à Arábia Saudita depois de recusar a nomeação do ministro da Cultura saudita, Badr bin Abdullah bin Mohammed bin Farhan Al Saud, para a sua administração. Uma decisão que ainda não foi comentada pela Arábia Saudita.

A entrada do governante para o conselho que lidera a mais prestigiada casa de ópera mundial fazia parte de um acordo de patrocínio que o diretor executivo e artístico da La Scala, Alexander Pereira, tinha feito e que deveria render ao teatro um total de 15 milhões de euros a pagar em cinco anos.

Ao The Guardian, Alexander Pereira explicou que o dinheiro seria entregue por uma empresa saudita privada, um banco ou uma doação privada. "É uma grande grande oportunidade. Discuti [o assunto] com Giuseppe Sala [presidente da Câmara de Milão] e com Alberto Bonisoli [ministro italiano da Cultura], estas oportunidades não surgem todos os dias", frisou quando questionado pelo diário inglês sobre este acordo com um reino que está sob grande pressão mundial após a morte do jornalista Jamal Khashoggi no seu consulado em Istambul (Turquia), em outubro do ano passado. Ação que foi atribuída a agentes que agiram sem controlo do governo, negando o país que o príncipe herdeiro Mohammed bin Salman tivesse conhecimento da operação.

Perante a contestação mundial à Arábia Saudita, os membros da administração do La Scala decidiram não concordar com o diretor executivo e pediram ao governo italiano para intervir neste caso "complexo e delicado". Na sequência, o presidente da autarquia de Milão anunciou que tinha sido decidido "por unanimidade devolver o dinheiro. Vamos voltar ao ponto zero hoje. Vamos ver se há outras oportunidades de colaboração".

A decisão foi conhecida depois de o vice-primeiro-ministro e líder do partido de extrema-direita Liga Matteo Salvini ter pedido aos responsáveis do La Scala para renunciar ao acordo. Já o governador da região da Lombardia, que também é membro da Liga, exigiu que o diretor artístico da ópera, Alexander Pereira, fosse demitido, o que não aconteceu.

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