Continuamos a descobrir exemplos do atual cinema romeno, quase sempre refletindo um misto de desencanto e tristeza face aos valores dominantes na sociedade de onde emanam. Assim volta a acontecer com Kontinental ‘25, de Radu Jude (nascido em Bucareste, 1977), consagrado no Festival de Berlim com um Urso de Prata para melhor argumento. Na trajetória do realizador, será um novo capítulo de uma visão em tom de sátira que já tinha gerado Não Esperes Demasiado do Fim do Mundo (2023).Pensamos, por isso, em alguns dos títulos que conferiram à produção romena um lugar de destaque no panorama internacional: A Morte do Sr. Lazarescu (2005), de Cristi Puiu, foi um dos “fundadores” da conquista de outros mercados, enquanto o notável 4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias (2007), de Cristian Mungiu, continua a ser único filme da Roménia a arrebatar a Palma de Ouro em Cannes. Radu Jude segue a via menos interessante deste “movimento”, confundindo a construção narrativa com uma espécie de jornal televisivo feito de manchetes avisando-nos de todos os males do mundo.Boa vontade e desejo de alguma redenção moral não lhe faltarão, mas convenhamos que, a certa altura, somos levados a perguntar se estamos a assistir a um filme ou a um sermão de algum “analista” do pequeno ecrã. Seja como for, Kontinental ‘25 arranca de forma sugestiva, com um vagabundo (Gabriel Spahiu) a atravessar um parque natural em que existe uma insólita exposição de bonecos de dinossauros... Resumindo, o homem irá suicidar-se depois de lhe retirarem a sua esquálida habitação, deixando a oficial de justiça (Eszter Tompa) que tentou resolver o seu drama com um pesado sentimento de culpa partilhado com as personagens com que se vai cruzando. Os diálogos são mesmo um inventário de referências dramáticas, da herança de uma perturbante animosidade cultural entre Roménia e Hungria até considerações angustiadas sobre os horrores em Gaza e na Ucrânia.Tudo se resume a uma “cerimónia” politicamente correta a que não falta sequer a ousadia pueril de evocar Europa ‘51 (1952), de Roberto Rossellini, como inspiração moral e cinéfila. Na sua semelhança, o título Kontinental ‘25 refere-se a um empreendimento arquitetónico de uma empresa alemã que ilustra a vaga de novas construções mais ou menos inacessíveis à maior parte da população... Daí decorre, aliás, o aspeto mais curioso do filme, com as deambulações da protagonista a serem pontuadas por imagens de apartamentos mais ou menos pomposos da cidade de Cluj onde decorre a ação. Enfim, talvez tenha ficado por fazer um sugestivo documentário, eventualmente herdando o verdadeiro espírito de Rossellini. .'Song Sung Blue'. Celebrando as canções de Neil Diamond.'Pai Mãe Irmã Irmão'. Jim Jarmusch propõe uma nova psicologia