O músico Jorge Palma foi distinguido com o Prémio Carreira dos 8.º PLAY - Prémios da Música Portuguesa, na noite de quinta-feira, 23 de abril, numa cerimónia no Coliseu dos Recreios, em Lisboa, na qual foram também premiados artistas como Mizzy Miles, Sara Correia, Napa e Calema.O Prémio Carreira, decidido pela direção Audiogest, que gere e representa os direitos das editoras multinacionais, nacionais e independentes, que promove os PLAY, foi entregue a Jorge Palma pelo secretário de Estado da Cultura, Alberto Santos.Visivelmente surpreendido, de cravo vermelho ao peito, Jorge Palma começou por agradecer a todos aqueles que ao longo da vida o têm ajudado, nomeadamente "aos profissionais do SNS que fazem tudo com os poucos meios que têm".O músico recordou que o atual primeiro-ministro, Luís Montenegro, "há uns tempos disse que a cultura em Portugal é sistematicamente menosprezada, subvalorizada"."Estou à espera que se faça de facto uma reforma eficaz para que as nossas forças não se gastem em vão", defendeu.Jorge Palma apelou a que não se deixe que o 25 de Abril "se torne uma memória distante, uma imagem a desvanecer-se lá longe"."Temos de reinventar o espírito de Abril, sempre. Liberdade, justiça, democracia. Malta, mãos à obra vamos fazer deste país uma coisa que merece ser, melhor. Viva o 25 de abril, viva a Liberdade, viva a Democracia!", afirmou.Para secretário de Estado da Cultura, Alberto Santos, "homenagear Jorge Palma é celebrar uma voz raríssima da música portuguesa", um músico que "criou um país interior onde muitos já viveram"."Sempre com a liberdade por perto, Jorge Palma construiu uma assinatura inconfundível e duradoura na música portuguesa", afirmou Alberto Santos.Antes da entrega do prémio, Jorge Palma foi homenageado com uma atuação musical de Tim, Sérgio Godinho, Marisa Liz, Miguel Luz, Inês Marques Lucas e Vicente e Francisco Palma, os filhos do cantor, que cantaram "Canção de Lisboa", "Dá-me lume", "Bairro do Amor", "Portugal, Portugal", "Frágil" e "A gente vai continuar".Outros premiados. Além do Prémio Carreira, foram entregues na 8.ª cerimónia dos PLAY, que foi transmitida em direto em vários canais da RTP, de rádio, televisão e online, distinções em 14 categorias.A cantora Carminho, a mais nomeada nesta edição, com três indicações, levou para casa um PLAY de Melhor Álbum de Fado com "Eu vou morrer de amor ou resistir".O PLAY de Melhor Álbum, para o qual o disco de Carminho também estava nomeado, foi entregue a Mizzy Miles, por "Fim do Nada".O Prémio da Crítica, cujo vencedor é escolhido por um painel de jornalistas da área da música, foi para os Mão Morta, por "Viva La Muerte!".No discurso de agradecimento, o vocalista dos Mão Morta, Adolfo Lúxuria Canibal, recordou que "Viva la Muerte!" foi "fruto do acaso". "Foi pensado como espetáculo de palco e só se tornou disco porque um acidente obrigou a que o espetáculo fosse adiado", referiu.O vocalista da banda acabou o longo discurso, no qual agradeceu a todos que estiveram envolvidos no disco e no espetáculo, com uma referência ao recrudescimento dos fascismos."Que a pulsão de morte que domina a miserável época em que vivemos, com as suas manifestações de ódio e de intolerância, não progrida até ao ponto de não retorno. E que saibamos estancar a tempo o alastrar da peste dos fascismos. Essa ratazana nojenta, que corrói por dentro os alicerces da liberdade. Foi para isso que 'Viva la Muerte!' foi criado e é para isso que continua a percorrer as estradas deste país", disse.Os Calema conquistaram, pelo quarto ano consecutivo, o PLAY de Melhor Grupo, Plutonio o de Melhor Artista Masculino, Sara Correia o de Melhor Artista Feminina e os Napa o de Artista Revelação."Aperture", do acordeonista João Barradas, venceu na categoria de Melhor Álbum de Jazz, e "Kokyyu", do compositor Luís Tinoco, na de Melhor Álbum de Música Clássica/Erudita.O Prémio Lusofonia foi para "Vaitimbora", da cantora brasileira Mari Froes com a dupla francesa Trinix."Oh Clementina", que junta Khiaro, Luís Fialho e os Marotos da Concertina foi considerada a Melhor Canção Ligeira e Popular.Ao entregar o PLAY de Melhor Canção Ligeira e Popular, o cantor Toy apelou ao boicote ao Festival Eurovisão da Canção, pedido devido à participação de Israel no concurso.O apelo ao boicote deve-se aos ataques militares de Israel no território palestiniano da Faixa de Gaza, nos dois últimos anos e meio, que mataram pelo menos 67 mil pessoas e foram classificados como genocídio por uma comissão internacional independente de investigação da Organização das Nações Unidas."A rapaziada precisa de se mostrar, mas a cultura também é política. Nunca digam que a Cultura e a Política não se misturam, porque a Cultura é a melhor arma contra alguns sistemas políticos, como o assassino de crianças [primeiro-ministro de Israel] Netanyahu e o 'son of a bitch', filho da **** em português, [presidente dos Estados Unidos] Donald Trump", afirmou.Na categoria de Melhor Videoclipe venceu "Moleirinha", dos Karetus, Conan Osiris e Isabel Silvestre, com Vozes de Manchouce e Júlio Pereira, realizado por Gonçalo XZ.Na única categoria cujo vencedor é escolhido pelo público, a de Canção do Ano, a vencedora foi "Pôr do Sol", dos Vizinhos.A cerimónia da 8.ª edição dos PLAY contou com várias atuações dos Vizinhos, dos Napa, com o Coro Infantojuvenil da Junta de Freguesia de Benfica (Lisboa) e o Coro Skoola, de Nelson Freitas com Nuno Ribeiro, dos Átoa com Luís Trigacheiro e Buba Espinho, e de MARO.A cerimónia incluiu ainda "Um minuto para calar o ódio", um momento em que os atores Afonso Pimentel e Diogo Amaral e os cantores Pedro Mafama e Tomás Wallenstein e Diogo Amaral disseram um texto a alertar para a propagação 'online' do discurso de ódio contra as mulheres, dando assim continuidade à campanha lançada em dezembro pela operadora de telecomunicações Vodafone, com o mesmo texto dito pelo 'rapper' Dillaz.