Depois de se ter demitido da presidência do Conselho de Administração da Fundação de Serralves, Isabel Pires de Lima acusou Ana Pinho, antiga presidente e atual líder do conselho de fundadores, de exercer uma prática de poder “centralizadora” e de exigir “vassalagem”."A Dra. Ana Pinho tem uma prática de exercício de poder bastante centralizadora. Mas acreditei que ela ia ser presidente do conselho de fundadores e que, portanto, me daria uma transição normal", denunciou, em entrevista ao Público, a ex-ministra da Cultura.Na sua carta de renúncia, Isabel Pires de Lima invocou falta de autonomia e “pressões externas a nível institucional” como razões para abandonar o cargo, que assumira há apenas oito meses. “Sinto que os aportes que alguns membros trazem são previamente combinados fora do conselho e, portanto, sujeitos a pressões externas”, afirmou.Segundo Pires de Lima, essas pressões provinham sobretudo do conselho de fundadores, situação que minava a gestão corrente: “Perdíamos muito tempo a tratar de minudências processuais, em vez de nos centrarmos nas questões estratégicas.”A ex-presidente relatou ainda episódios de desautorização, dando como um exemplo o processo de escolha de um novo diretor-geral, no qual, segundo Pires de Lima, Ana Pinho interveio diretamente: “Uma candidata falou primeiro com a Dra. Ana Pinho antes de me procurar a mim. (...) Ia ser um diretor-geral que dirigia tudo, com a palavra da presidente a desaparecer praticamente de cena. E eu já não tenho idade para fazer o papel de representação.”Ao DN, uma fonte do Conselho de Administração da Fundação de Serralves diz que o órgão foi "totalmente apanhado de surpresa" com a renúncia de Isabel Pires de Lima. "Se houve uma gota de água, uma situação desconfortável ou um acumular de tensão, desconhece-se", refere a mesma fonte, garantindo que “entre a informação ter chegado ao conselho e à comunicação social não passaram mais do que uns minutos”.Após a renúncia da agora ex-presidente, o Conselho de Adminsitração, por unanimidade e em reunião extraordinária, elegeu o vice-presidente Fernando Cunha Guedes para a presidência interina, obrigando- se a proceder, a partir de agora e de acordo com os estatutos da instituição, por cooptação e voto secreto, à eleição de um novo presidente..Conselho de administração de Serralves “apanhado de surpresa” por demissão de Isabel Pires de Lima