Queer Lisboa. Disobedience, agora ou nunca no grande ecrã

Rachel Weisz e Rachel McAdams são as protagonistas de <em>Disobedience</em>, a estreia em língua inglesa de Sebástian Lelio, o vendedor do Óscar por Uma Mulher Fantástica . Passa quarta-feira no Queer Lisboa e é o bilhete mais quente do festival
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Um amor proibido filmado com desejo. É esse o leitmotiv de Disobedience, o título mais sonante da edição deste ano do festival Queer Lisboa. O filme do chileno Sebástian Lelio, estreado em 2017 no Festival de Toronto, passará quarta-feira no São Jorge às 22.00 em absoluta estreia nacional. Será a única forma de em Portugal ser visto num grande ecrã - o seu lançamento comercial será apenas no mercado Home Cinema, posteriormente.

Passado no interior de uma comunidade judia ortodoxa em Londres, Disobedience é a história de amor entre duas amigas de infância que se reencontram depois de muitos anos. Rachel Weisz é Ronit, uma artista que volta a casa depois da morte do pai, um conceituado rabi. Nesse regresso descobre que Esti (Rachel McAdams) é agora a esposa do seu melhor amigo. A dada altura, ambas descobrem que para além de questões de orientação e de identidade sexual, nutrem uma pela outra um amor incomensurável. Mas numa comunidade tão severa e rigorosa, o seu amor parece impossível.

Lelio recusa-se a ir para o campo da fantasia romântica e, por muito que filme esta atração de forma elegante e complexa, aborda sempre o romance de Naomi Alderman com uma discrição realista notável.

Transe para além do sexo num objeto que dá a Rachel Weisz uma daquelas interpretações de bandeira (a Fox poderá colocá-la aqui na rota dos prémios desta próxima temporada) e revela que Rachel McAdams, desde Spotlight, de Thomas McCarthy, está a tornar-se numa grande atriz de "underacting". As cenas de sexo entre as duas têm uma ferocidade que é vital e longe da tentação "voyeurística". Ao som da música de Matthew Herbert, os corpos destas mulheres, que se entregam à pulsão da carne, consomem-se com uma ternura no limite da violência.

Alessandro Nivola em grande

Depois, há ainda o papel de Alessandro Nivola, o jovem rabi que é casado com Esti. Nivola tem aqui o grande momento da sua carreira. Um homem de emoções contidas que vê a sua vida desabar quando descobre que a tendência gay da sua mulher é inevitável. É a grande interpretação da carreira de um ator que deverá lucrar muito com este papel. Poucos atores seriam capazes desta contenção.

Disobedience não julga os judeus nem a força das suas tradições, mas é um filme que atinge uma dimensão trágica em denunciar os preconceitos da religião no que toca ao amor livre. E é também uma obra do lado da intensidade. Neste caso, a intensidade da mais sagrada intimidade.

O Queer Lisboa, que arrancou com lotações esgotadas, termina este sábado com o documentário Bixa Travesty, de Kiko Goffman e Claudia Priscilla, cineastas brasileiros que narram a saga de Linn Quebrada, uma cantora trans cujas performances são manifestos anti-machistas. Na Berlinale foi um dos filmes sensação.

Antes de Bixa Travesty, o Queer tem ainda festas abertas ao público, curtas-metragens, masterclasses e workshops.

Os prémios são conhecidos sábado e nos diversos júris figuram nomes como o comediante Hugo van der Ding; o jornalista Didie Roth-Bettoni; Rui Filipe Oliveira, da RTT; a cineasta Margarida Leitão; Marta Fernandes, da Midas Filmes; o programador Fernando Galrito; as atrizes Maria Leite, Leonor Silveira e Ágata Pinho; o realizador Rob Eagle e a programadora Esra Ozban.

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