Quadro de Hockney prepara-se para bater recorde de preço

Uma das obras mais conhecidas do artista inglês, "Portrait of an Artist - Pool with Two Figures", pode ser vendida por 80 milhões de dólares (69 milhões de euros) em novembro

15 de novembro de 2018 pode ficar na história dos leilões de arte como a data em que se vendeu o quadro mais caro de sempre de um artista ainda vivo. Nesse dia, a obra "Portrait of an Artist - Pool with Two Figures" (Retrato de um Artista - Piscina com Duas Figuras, de 1972), do inglês David Hockney, poderá ser vendida em Nova Iorque por 80 milhões de dólares (69 milhões de euros). Uma fasquia estabelecida pela leiloeira Christie's para uma "das maiores obras-primas da era moderna" e que a confirmar-se superará largamente o recorde de 58 milhões de dólares (50 milhões de euros) pagos em 2013 pelo "Cão Balão" de Jeff Koons.

O quadro que partiu da justaposição de duas fotografias no chão do ateliê do artista tornou-se numa das suas obras mais "celebradas e reconhecíveis", como refere a Christie's no texto que acompanha a apresentação do leilão. Razões mais que suficientes para apontar para um valor histórico. "Neste momento, o valor de venda desta pintura está colocado na ordem dos 80 milhões de dólares, o que não quer dizer que tenha de ficar por aí. Mas é onde a colocamos no contexto histórico", contextualizou à BBC Alex Rotter, da conhecida leiloeira.

Neste momento, o valor de venda desta pintura está colocado na ordem dos 80 milhões de dólares, o que não quer dizer que tenha de ficar por aí

A Christie's não revelou quem é o colecionador privado que vai vender o quadro, mas considera que esta é uma "coincidência rara, a melhor pintura de um artista estar disponível". Uma obra na qual Hockney, hoje com 81 anos, trabalhou 18 horas por dia durante duas semanas para conseguir terminá-la a tempo de uma exposição na André Emmerich Gallery, em Nova Iorque, em meados de 1972.

Agora, o quadro fará uma nova viagem para ser exibido em Hong Kong, Londres e Los Angeles antes do leilão de novembro. Que ainda assim, admite Alex Rotter, pode não ser o último. "Daqui a 10, 15, 20 anos, se for comprado, vamos querê-lo de volta e posso dizer que vamos vendê-lo por um preço ainda maior".

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