Robert Frank (1924-2019). O americano que revolucionou a fotografia

Frank era dos mais influentes fotógrafos do século XX, com a sua obra "The Americans", com 83 imagens de pessoas comuns, a ser considerada um marco histórico. Morreu aos 94 anos.

Com um estilo cru e evocativo, Robert Frank foi um nome fundamental na fotografia. A sua obra "The Americans" (1958) é considerada um marco na história da fotografia, com as suas imagens a preto e branco captadas em viagens que realizou pelos Estados Unidos da América a tornarem-se um manifesto contra a tradição. As suas 83 fotos rejeitaram muitas convenções estabelecidas e centravam-se em pessoas comuns. Teve prefácio escrito por Jack Kerouac, o escritor da Beat Generation..

Feitas com uma câmara Leica de 35 mm, as imagens a preto e branco são consideradas uma obra-prima de Frank e focadas em figuras marginais, negligenciadas da vida americana - de casais adolescentes e operários a motociclistas. Apelidado de "Manet da nova fotografia" pela crítica nova-iorquina Janet Malcolm, Frank foi considerado o pai da "estética instantânea", que captura um momento espontâneo em movimento.

Natural da Suíça (1924), Frank emigrou para Nova Iorque em 1947 e teve o primeiro emprego como fotógrafo de moda na revista Harpers's Bazaar. Começou logo a trabalhar em "The Americans" que acabaria apor ser publicado dez anos depois. Nos anos seguintes, andou pela América do Sul e pela Europa.

O filme com os The Rolling Stones

Além da fotografia, Robert Frank fez cinema. Um dos títulos mais célebres é "CockSucker Blues" (1972). O filme mostra os The Rolling Stones em digressão, com os músicos envolvidos em uso de drogas pesadas e sexo em grupo. Frank disse sobre os Stones: "O meu trabalho era depois do concerto. O que eu fotografava era uma espécie de tédio. É tão difícil ser famoso. É uma vida horrível."

Após ver o documentário, Mick Jagger terá dito a Frank:" É um filme muito bom, Robert, mas se aparecer na América, nunca mais seremos permitidos no país". Houve mesmo uma disputa judicial, com as exibições do filme a serem restringidas. Uma fotografia de Frank aparece na capa do álbum dos Rolling Stones "Exile on Main St." (1992).

O estilo de Robert Frank é visto como uma abertura de portas para outros fotógrafos, como Diane Arbus. Nos anos 60 e 70, Frank seria uma figura da contracultura e um cineasta de vanguarda. A crítica cinematográfica do New York Times, Manohla Dargis, disse que Frank foi "um dos cineastas americanos mais importantes e influentes do último meio século" e as suas curtas-metragens apresentaram autores como Jack Kerouac, Allen Ginsberg e Alice Neel.

Ícone da fotografia do século XX, Robert Frank morreu na segunda-feira, aos 94 anos, no Canadá, anunciou esta terça-feira o galerista Peter MacGill, de Manhattan, que representava o artista de origem suíça que residia há décadas em Inverness, Nova Escócia, Canadá.

Exclusivos