Morreu o olisipógrafo José Sarmento de Matos

O historiador de arte tinha 72 anos

José Sarmento de Matos morreu nesta manhã em sua casa aos 72 anos, vítima de um cancro que lhe foi diagnosticado há dez anos. A notícia foi confirmada ao DN pelo seu irmão Carlos Sarmento de Matos.

Formado em História de Arte, e especialista na arquitetura civil de Lisboa, identificava-se sempre como olisipógrafo. Entre os momentos mais marcantes da sua carreira contam-se a publicação dos dois volumes de A Invenção de Lisboa, em 2008 e 2009.

Começou por estudar Direito, onde foi colega de Marcelo Rebelo de Sousa e Leonor Beleza, mas acabou por trocar o curso por História na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Mais tarde, especializou-se em História de Arte. Antes disso passou ainda pela Direção-Geral dos Assuntos Culturais/Direção-Geral do Património Cultural. Escreveu também em jornais como o Semanário ou O Independente.

José Sarmento de Matos participou na ideia e construção da Expo 98, com Vasco Graça Moura e António Mega Ferreira, e acabaria depois por dar nomes a todas as ruas do Parque das Nações.

Trabalhou na classificação de imóveis e colaborou com diversos ateliês de arquitetura. Nos últimos anos orientou diversas palestras sobre edifícios de Lisboa de diversos períodos.

Deixou mais de uma centena de estudos publicados sobre edifícios. Numa entrevista ao Expresso, no ano passado, disse: "Há coisas que demoram muito tempo a chegar. Andam aqui, e eu ando pelo jardim de um lado para o outro até a perspetiva exata sair. Tenho muitos estudos feitos que ainda não foram publicados. Espero que um dia mais tarde, quando eu desaparecer, alguém pegue nesses estudos todos e faça alguma coisa com eles."

Numa nota de pesar, a ministra da Cultura destacou que Sarmento de Matos "dedicou à olisipografia a parte maior da sua obra", nomeadamente "aos seus bairros e edifícios e às suas gentes, construindo com os seus textos uma paisagem orgânica e habitada, uma urbe que, como o historiador gostava de dizer, nunca é um gesto isolado". Graça Fonseca lamentou "profundamente" a sua morte.

O velório deverá ter lugar na Igreja das Mercês ainda hoje, em Lisboa, e o enterro deverá ser amanhã à tarde, disse ainda ao DN Carlos Sarmento de Matos.

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