Madonna: "As pessoas em Lisboa deixam-me em paz"

Na segunda parte da entrevista à Vogue italiana, a artista fala da sua vida em Lisboa e da influência que esta vai ter no seu próximo álbum.

"As pessoas em Lisboa geralmente deixam-me em paz. De vez em quando alguém pede-me uma foto ou um autógrafo, mas eu tiro muitas sem problemas", conta Madonna na segunda parte da sua entrevista com a revista Vogue Italia, na qual fala da sua vida na capital portuguesa e de como esta vai influenciar o seu próximo álbum.

A entrevista foi feita por ocasião do 60.º aniversário (faz anos a 16 de agosto) da intérprete de Like a Virgin, que exigiu falar apenas da sua vida em Portugal em vez de recordar o passado.

"Lisboa é uma cidade tranquila, mas também tem uma aura melancólica, que explica porque é que o fado nasceu aqui. É o seu lado romântico - e certamente também o criativo e artístico - que gera tanta música bonita e tanta arte em geral", diz Madonna, revelando que Paula Rego é uma das suas pintoras favoritas. "Quanta dor e tristeza nas suas pinturas."

Inspirada em Lisboa

"Todas as semanas, nos salões de antigas casas privadas há encontros de música ao vivo", refere Madonna. "Sobes os degraus de mármore entre as velas, entras na sala também iluminada pela luz suave das chamas e assistes a um espetáculo muito íntimo, no qual as pessoas tocam, dançam e recitam poesia", conta, comparando a experiência aos salões burgueses do passado.

Madonna diz que em Lisboa "as pessoas tocam e recitam não por dinheiro, mas apenas pelo amor da coisa", considerando isso "esplêndido e muito estimulante". A cantora explica como recebe telefonemas de amigos que lhe dizem "numa certa casa vai tocar este e aquele músico, vem às 23.00", e acrescenta que na capital portuguesa "começa tudo sempre tarde".

Nesses encontros, "às vezes há alguma comida, noutras só um vinho do Porto para beber". E podes ver alguém dançar flamengo ou ouvir a música da cabo-verdiana Cesária Évora, tocada ou cantada por alguém que a conheceu pessoalmente.

"Ouves sempre muito fado e kuduro, um género musical angolano. Também muito jazz, da velha escola: uma coisa belíssima. Conheci tantos músicos maravilhosos e muitos acabaram por colaborar no meu novo álbum, por isso Lisboa influenciou a minha música e o meu trabalho. Como é que poderia ser de outra forma? É impossível para mim passar um ano sem ser influenciada por toda a cultura que me rodeia", refere.

Para Madonna "é um belo antídoto para o que está a acontecer hoje no mundo da música: tudo é estereotipado, as músicas têm pelo menos 20 artistas convidados, e todas parecem iguais. As coisas terão de mudar mais cedo ou mais tarde".

"Digo sempre que Portugal é governado pelos três F: fado, futebol e Fátima", disse Madonna, falando num país "muito católico".

A cantora compara Portugal a Cuba, "porque as pessoas não têm muito mas abrem a porta de qualquer casa, vais a qualquer beco e vais sempre ouvir música". E diz que em Alfama "há pessoas que cantam e tocam fado em todo o lado".

"Soccer mom"

Nesta segunda parte da entrevista, Madonna lembra que "qualquer mãe que se dedica a tempo inteiro aos filhos, que vai e vem dos campos de futebol", sabe que as coisas mudam a cada semana, ao sabor dos jogos, que só à quinta-feira sabe se são no sábado ou no domingo e a que horas. O seu filho David Banda, que tem 12 anos, joga no Benfica".

"É impossível organizar-me e depois tens a sensação de ser injusta com os outros filhos, já para não dizer contigo", refere a artista, transformada em "soccer mom", um termo usado nos EUA para referir as mães que passam muito tempo a levar os filhos ao futebol ou a outras atividades do género. Além de David, vive em Portugal com Mercy James (também 12) e as gémeas Stella e Estere, de 5 anos.

Madonna revela ainda que vive na Lapa, mas que para andar a cavalo (uma das suas atividades favoritas) vai até à Comporta ou a Alcácer. "Há muitas zonas em volta onde podes ir andar a cavalo, e cada vez que o meu filho não tem jogo ao domingo, o dia torna-se uma aventura em que podemos escolher um local para andar a cavalo."

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João Gobern

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