Netflix proibiu os cinemas de revelar número de espectadores de 'Roma'

No Cinema Trindade, no Porto, bate recordes, mas nos dados do Instituto do Cinema é como se não tivesse estreado. A Netflix obrigou os exibidores do filme de Alfonso Cuáron a não divulgar os números...

Em Portugal, tal como em outros territórios, a ideia era lançar o filme Roma nos cinemas, um dia antes da sua chegada à plataforma de streaming da Netflix. A condição era os números não serem revelados, um acordo de confidencialidade que foi respeitado - tanto assim que hoje no top de bilheteiras enviado pelo ICA (Instituto de Cinema e Audiovisual) é como se não tivesse estreado. De notar que as bilheteiras que o ICA divulga são da responsabilidade dos exibidores. Neste caso, nenhum dos exibidores de Roma revelou os (bons) números de espetadores.

Mas estreou em Lisboa, Porto, Cascais, Carcavelos e Setúbal graças à distribuidora Pris, que seguiu as regras da Netflix numa operação de risco. E foram exibidores mais alternativos como a Midas, a Nitrato e a Leopardo que quiserem apostar nessa estratégia de "cinemas selecionados", ao passo que a UCI e a gigante NOS Cinemas preferiram não entrar nesta jogada.

O filme foi lançado nas salas do México, Los Angeles e Nova Iorque logo em novembro e de forma limitada (sobretudo para conseguir qualificar-se para os Óscares, estando agora muito bem posicionado nesta corrida). No total, foram apenas 30 países com direito a ter Roma em ecrã grande (e se há filme que pede ecrã gigante é este). Em Portugal, segundo o DN apurou, não há prazos para o filme ser retirado, apenas está garantido que não haverá sessões em formato 70mm.

Com um consenso crítico espantoso, a obra-prima de Alfonso Cuáron é a história da sua ama e do seu bairro, Roma, em pleno coração da Cidade do México, em 1971. Um épico familiar que é também uma ode às memórias da nossa infância.

Américo Santos, dos cinemas Trindade, está feliz com as enchentes na sua sala: "posso dizer que o filme está a ter um desempenho no Trindade que vai bater os recordes de público.Para nós, não está a ser um problema exibir o Roma em simultâneo com a disponibilidade em streaming, uma vez que este filme ganha imenso em ser visto na tela. Ou seja, por oposição, a visão em streaming não chega aos calcanhares da visão em tela". Segundo o proprietário da sala, a carreira de Roma no Trindade deverá ser longa.

Em Setúbal, no Auditório Charlot, o filme é também um sucesso. A responsável pela programação, Débora Silva, do Festroia é peremptória: "Diria que está entre os filmes mais vistos do ano, pelo menos no que toca aos lançamentos de filmes europeus, ou seja, sem contar com os grandes filmes americanos. Creio que no nosso cinema vamos sempre apostar nestes filmes que também possam já estar na Netflix. O nosso público é diferente: prefere sempre ver cinema no grande ecrã"

Esta iniciativa de colocar filmes nas salas e ao mesmo tempo disponíveis no Home Cinema não é propriamente revolucionária. A distribuidora Bold há um ano que faz o mesmo e ainda a semana passada lançou com essa filosofia Ana e o Apocalipse, comédia zombie de John McPhail. De certo modo, o resultado que esta semana saiu sobre um estudo do grupo EY"s Quantitative Economics and Statistics, nos EUA, referindo que o cinema no streaming não afeta as vendas de bilhetes na salas, vem revelar uma janela de oportunidade.

Esse mesmo estudo garante que a tendência é as duas formas de ver cinema não serem concorrentes, mas sim de uma complementaridade saudáveis. Nos EUA, as bilheteiras estão de boa saúde, tal como está a Netflix. Depois do caso Roma, a possibilidade de The Irishman, de Martin Scorsese, com Al Pacino e Robert De Niro, chegar às salas é maior. Refira-se que se trata do título mais sonante da Netflix para 2019.

Em resumo, o filme pode ser visto pelos assinantes da Netflix mas é sempre recomendável a sua visão primeiro em sala. Em Lisboa, no Monumental (versão Dolby Surround 7.1) e no Ideal; Porto, Trindade, Cascais: O Cinemas da Villa; Carcavelos, Atlândida Cine; Setúbal, Charlot.

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